Charles Feitosa e a Filosofia Pop

A aula do dia 12 de novembro foi ministrada pelo pós-doutor em filosofia pela universidade de Postdam na Alemanha, Charles Feitosa. Sua aula teve como objetivo de clarear alguns aspectos sobre esse bicho de sete cabeças que chamamos de Filosofia, questionando hierarquicamente a alta e baixa cultura, mesmo que para ele a filosofia sempre tenha tendido para o lado da alta cultura.

O professor apresentou a chamada Filosofia pop, que além de tratar sobre temas comuns à filosofia clássica, como a verdade, a beleza e a justiça, inova ao se debruçar sobre a cultura de massa e o cotidiano. Embora essa nova vertente da filosofia trabalhe com autores clássicos, ela amplia seus parceiros com personagens como: Homer Simpson, Mafalda, Calvin, entre outros. A partir da filosofia Pop é possível se divertir com algo e ao mesmo tempo ser crítico, nem todo entretenimento é alienante.

O professor apontou três maneiras  de tratar os temas filosóficos. Versões que consiste em olhar para mundo através das dualidades hierárquicas tendenciosas, como o bem e o mal e o bonito e o feio; Inversões quando existe uma substituição das tendências, porém a dualidade continua, neste caso há ênfase no feio por exemplo; e Transversões que busca trabalhar sem dualidade ou oposição, fugindo de analises apenas elogiosas ou apenas criticas e suportando a ambiguidade.

Em sua conclusão, ele afirma que a filosofia não traz nenhuma solução imediata, mas realça a importância do pensamento filosófico, para que haja a suspensão da preocupação apenas com fatos urgentes.

O professor falou da dialética de Hegel,  da ideia defendida por Faucault e Deleuze de que vivemos  em uma sociedade do controle, em que todos podem andar para lá e para cá, mas somos controlados o tempo todo e reafirmou que não existe separação entre corpo e pensamento.

Entre outras afirmações esclarecedoras Charles Feitosa disse que nenhum principio é inquestionável.

 

Leitura Complementar:

-Explicando a filosofia com arte – Feitosa, Charles.

-Mafalda

mafalda

 

Futebol dos filósofos-Monty Python http://www.youtube.com/watch?v=wrtKc1ZtrGQ&hd=1

 

Octávio de Souza – Bolsista PIBEX PACC\UFRJ

10 comentários

  1. Marchurek
    Marchurek 9 de abril de 2017 at 23:38 |

    Charles Feitosa é o melhor filósofo das quebradas e das inteironas.

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  2. Tetsuo Takita
    Tetsuo Takita 24 de novembro de 2013 at 18:39 |

    link do texto

    Se quando o que sinto seria senão fato lancinante o que poderia fazer eu senão escrever e ler
    http://tedipassaro.blogspot.com.br/search?q=escrever+e+ler

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  3. Tetsuo Takita
    Tetsuo Takita 24 de novembro de 2013 at 16:36 |

    Gente, desculpe o abuso mas esta aula do Charles rendeu para mim, e como Clarice Lispector e sua “A Paixão Segundo GH” foram citados, com toda humildade gostaria de compartilhar um exercício teatral que investiguei em 2010, interpretando -a… http://www.youtube.com/watch?v=9rAJ4b8WMqk

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  4. Tetsuo Takita
    Tetsuo Takita 24 de novembro de 2013 at 16:26 |

    Eu filosofando em Alemão rs:

    Se quando o que sinto seria senão fato lancinante o que poderia fazer eu senão escrever e ler. Tentar ouvir a mim mesmo, se tentativas foram frustradas fazendo assim com que se apague fácil meus êxitos e lançando –me ardil no buraco profundo da avidez imediata, quem dera pudesse calar ao invés de competir. Poderei um dia.
    Se preciso for chorar. Poderei um dia, Por que não amar a idéia imediata de uma ilusão passageira a que todos gostamos de sentir e que logo deixamos cair passar na marca indelével e permanente do esquecimento? oh! a nuvem esquecediça. Ela. Só ela estava ali a espreita naquele momento de abril
    Quando tento escrever meus pensamentos sem deixá-los correr na brisa, parado me estabeleço. Provoco-me. Ou pelo muito tento. Força e meta é o que traço… só na teoria. No papel meu da minha realidade fraca vejo-me muito no fraco e pouco no estrategista. De que me adianta escrever esta letra esperando que toque em alguém daqui a alguns anos uma leve sensação de fôlego e vida sopro no meio da corrida interminável, em busca de algo que cada um que sabe o seu, e que está em constante mutação, escrevo sim pra registrar a tênue emoção que embarco minha mente quando a deixo levar solta.
    E logo depois como um castigo ou como um diabo que fez pacto, me cobro… muito, mais fácil seria sonhar sempre e apenas.
    Tão claro e firmemente como estas cicatrizes que vejo na pele. A livre volúpia da brutalidade, Fincando, cortando e, que parece ser a única verdade – a da dor.
    Busco contato no cyber-espaço, volto a sonhar com meu pai, desta vez, ele é um cachorro
    Ao qual me apego instintivamente e afago-o com um longo abraço envolvendo todo meu corpo. minha mãe é um duplo, mas choro assim mesmo sem sentido consciente deixo-me levar nas ondas do grande mar agitado do meu sonho.
    De manhã de novo o gosto amargo na boca, novamente a vontade de morte… será que não estava preparado? Sempre pressenti que não não cumpri meu papel. não posso me esconder nem escorar atrás dos outros.
    Quero voltar aos meus cheiros sabores, virtudes quero voltar mais, não posso. não posso? Ultrapassando esta linha randônicamente volto a esbarrar com elas, as minhas vontades e cores de infância onde tudo era uma fantástica fábrica de doces de caramelos sortidos.
    Estavam lá o tempo todo
    O tempo todo só esperando o despertar, levante de crisálida, imbuída num crime que não cometera, mas que já se fez condenar de primeira… Só eu poderia crucificar a mim assim, sendo ao mesmo cruel a esse ponto. Eu Deus, eu! que não pensaria que Tu me fixaras, me fizeste encomendar para a festa que nunca foi minha mas pertencia a alguém. eu era parte mim e parte a terra todo mundo. Eu também era um deus só que um deus antagonista cruel e rebelde querendo se vingar a qualquer preço menos às custas das mortes de seus amores. Menor, um deus menor um deus menino com letra minúscula, brincando de coisa séria, levando mais a vida ao pé da letra do que agora. Eu era assim, o que sou agora o que me torno, aonde pertenço? preciso saber quero saber saber agora… A resposta estava lá o tempo todo. Eu ainda estou aqui, só que estou te observando calado agora, não mais histérico ou monocórdio. Eu já sou todo mundo e todo mundo já me pertence na alma pura da espécie.
    Eu já sou feliz de tê-lo aqui mesmo que seja só para um café, não quero a obrigação da vida inteira lado alado, vai voando vai azul.
    Ela andou a dentro do meu peito e ali permaneceu calada, os silenciosos sempre roubaram o meu coração. meu afeto é sincero por estes misteriosos personagens leptônicos quase esquistossomáticos. Mas os afetuosos, me convenceram a me salvar do dia após dia. renascimento imediato eles diziam no meu pensamento. Um dia pra mudar. Tudo só por demais adiante doravante eminente, a preguiça quis passagem e a deixei ficar uns dias e depois mais, meses e anos se passam e ela… não quer ir embora não, a dona preguiçosa gosta de um bom cochilo na cabeça da gente, sim senhor, não se esqueça disso senhor eu disse para não esquecer porque ela, absurdamente cobra ainda muito caro a sua própria hospedagem. Nós é que pagamos a sua permanência, no dinheiro poupado da roupa que não lavamos e assim por diante. Catatônico, não vá esperar uma catarse epifania que não vir, ou seja armadilha do consciente o escravo, para você acreditar que mudará alguma coisa… nada muda nunca não esqueça disso porque tudo muda sempre já tenho dito isso, então que eu faça a minha escolha melhor já que é preciso escolher sem falar e gozar sem calar as dores que contam bem o momento do artista que almeja o belo a se entregar de sobressalto no caldeirão de lixo ardente geena.
    Coragem alguma voz me diz lá dentro, que se fosse fácil Diego já teria comido tudo e não haveria mais pedaços inteiros
    Bobagem me diz o bobo sempre fiel companheiro do Rei sempre sábio e sóbrio e sério e hábil: permanente só a luz na imaginação a nuvem, causticante caos em polvorosa pólvora, intermitente o interlúdio já se deu de presente e já se faz interminável mas, ao mesmo tempo, ainda assim quer se fazer de perto e não quer calar por mais que lhe diga para fazê-lo, nem mesmo que o mande calar a boca direta ou indiretamente êta bichinho teimoso esse senhor fidelidade.

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  5. Wellington de Moraes França
    Wellington de Moraes França 23 de novembro de 2013 at 1:22 |

    Inicio da noite, pós Sarauva (combinação de quebradeiros, poesia, pedra do sal e cerveja), uma amigo anuncia na travessia da Presidente Vargas: “Depois de Charles Feitosa só penso agora através da transversalidade!”.

    E eu que pensava ser a dialética de Hegel ainda a base das vanguardas filosóficas revolucionárias!

    Já estou revendo meus conceitos…

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  6. tetsuo takita
    tetsuo takita 19 de novembro de 2013 at 15:59 |

    Quem cala “não” consenti

    Tema escolhido: O silêncio é o prenuncio das revoluções

    O que às vezes pode parecer covardia ou apatia, é o que não se vê, mas está contido, contendo dentro toda energia. Que tal qual uma bomba atômica pode explodir quando se menos espera. Os silenciosos, às vezes estão se corroendo de raiva e não de medo, preparando-se para atacar, fortalecendo-se do estudo dos pontos fracos ou fortes dos seus inimigos para então no devido momento como um felino silencioso à espreita, atacando sua presa, cometer-se-á a revolução que nada mais é que uma vingança viva partida do tido como morto pela imobilidade vista, e por isso, inesperado ataque muito energizada pelo acúmulo da espera que não desperdiça-se em empreitadas alhas e sem retorno. Mas que espera em silêncio.

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  7. tetsuo takita
    tetsuo takita 19 de novembro de 2013 at 15:51 |

    Charles Feitosa nos ajuda a transverter as visões com a arte Pop em ação.
    É ótimo sentir a filosofia:
    “Fazer filosofia é girar no mesmo lugar simbolicamente.”
    Menos imediatista, e mesa sentido, inútil como a arte, graças aos deuses e demônios (que na verdade estão transdisciplinarmente ligados).
    Nem toda ação é movimento.
    Bom ou ruim.
    – Reavaliar a avaliação, neo-anarquismo, paradoxos, dialéticas, gozei.

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  8. Marcio Rufino
    Marcio Rufino 18 de novembro de 2013 at 14:41 |

    Abdias, Filosofia Pop e Literatura

    Às nove horas da manhã de terça-feira o sol já estava muito quente. e eu já levantei com o intuito de chegar no MAR às onze e meia para a segunda reunião de preparação de “Quebradas conta Abdias Nascimento”. Quando chego no Metrô lembro que não havia comido nada antes de sair de casa e faço meu desjejum com um joelho de calabresa e queijo cheddar e um refresco de uva, acompanhado da amiga quebradeira Janaína Tavares. O bate-papo com Janaína ,sempre muito descontraído, me faz não me dar conta nem do aperto do metrô lotado e muito menos dos minutos que passavam. Em poucos instantes já estávamos na Uruguaiana.

    Quando subimos ao terceiro andar, Numa e Ângela ainda não haviam chegado. Subimos ao quinto para tentarmos assistir a um Seminário de Economia Criativa. Foi só o tempo de eu beber um cafezinho e logo tivemos que descer novamente. Iniciada a reunião discutimos as primeiras pesquisas sobre o multifacetado Abdias Nascimento: uma companheira do grupo disse que a luta pela igualdade racial do pesquisado começou quando ele, ainda criança, presenciou a mãe defender um menino negro que era covardemente espancado por uma mulher branca na rua; eu mostrei a pesquisa que fiz no site do IPEAFRO sobre o Teatro Experimental do Negro, uma das criações de Abdias. Mas o meu grade impacto daquela manhã foi quando Ângela Carneiro me apresentou à “Padê à Exú Libertador”, arrebatador poema de Abdias. Meu espanto como poema chamou a atenção dos amigos quebradeiros presentes.

    Depois do almoço começou a interessante aula de Filosofia Pop com Charles Feitosa. Figura muitíssimo interessante, o Charles; cabelos cumpridos até os ombros, encaracolados, um olhar cabisbaixo, um jeitão de nerd. Autor do livro “Explicando a filosofia com arte” que eu já conhecia. O filósofo prega a possibilidade de diálogos entre a filosofia tradicional com a cultura pop. falou de todos os preconceitos que cercam a filosofia e sua relação com as artes. Pela primeira vez entendi o que é Interdisciplinaridade e Transversalidade; enquanto a primeira é a ponte limitadora entre duas disciplinas, impondo a criação de uma terceira, a segunda é a junção de dois saberes sem a interferência de um terceiros saber. Com tudo isso só ficou a certeza da enorme complexidade da Filosofia e o quanto ela é paradoxal ao refletir sobre as novas formas de poder e o nosso papel neste processo.

    Em Linguagem e Expressão, Sandra Portugal promove um debate sobre o Centro da Cidade da segunda metade do século XIX, através de fotos antigas do morro de Santa Tereza e do morro do Castelo, já demolido por Pereira Passos; e de trechos de “Esaú e Jacó” de Machado de Assis, “O Cortiço” de Aluísio Azevedo e “O Inglês Maquinista” de Martins Penna. Houve um momento em que citei a promiscuidade dos personagens de O Cortiço pra, num intuito proposital de Aluísio, justificar a demolição dos cortiços, mas percebi que no fundo o grande moralista estava sendo eu mesmo. O debate foi uma entrada para Sandra nos dar noções de narração, descrição, exposição, argumentação e injunção de um texto.

    Depois do lanche quis transitar pelas livrarias do Centro do Rio, mas já estavam todas sendo fechadas entre 18:30 3 19:00. Acabei indo parar no bar pra fazer companhia a alguns amigos quebradeiros.

    O Centro da Cidade é grade filho da Revolução Industrial. Fruto de um sonho cosmopolita de Pereira Passos, resplandece e se perde em sonhos, fantasias, desejos, sofrimentos e frustrações de cariocas de todo o Rio de Janeiro. Ando em suas ruas desde pequeno. Apesar de sempre ter morado na Baixada Fluminense, meu pai trabalhava na Carioca. Então o Centro era para mim um luxo quando eu o visitava pelas mãos de minha mãe. Era como se eu fizesse parte de um filme norte-americano ou de uma telenovela do horário nobre. Hoje, adulto, vejo este território se repartir em várias partículas urbanas; de um lado o lob, o business; de outro os black-blocks e a polícia; de um terceiro lado uma cultura reagindo, se debatendo, tentado criar fôlego; Cais do Valongo, Pedra do Sal. E no quarto este meu olhar poeticamente contemporaneizado. Tentando mastigar, engolir e regogitofagizar tudo isso de forma criativa, artística e literária para jogar n este texto que se encerra.

    Marcio Rufino

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  9. Rogéria Reis
    Rogéria Reis 15 de novembro de 2013 at 10:39 |

    Aproxima-se o fim do ano e como nos outros fins de anos que hoje descansam no passado, temos o hábito de fazer retrospectivas e também de traçar planos para o devir.
    Desenhar o devir?
    Há quem diga que temos o poder em nossas mãos e há quem pense que o acaso nos protegerá, enquanto andarmos distraídos.
    Mas entre o poder da escolha e do destino, hoje vago. E vagar é algo estranho, é planar no vazio, é não saber para que direção seguir.
    Essa saia justa me leva ao uso inútil de metáforas e máscaras e com elas bailo nesse solo instável das incertezas.
    Sinto angústia a tal ponto que as metáforas já não mais me servem para disfarce algum, muito menos máscaras são capazes de acobertar a dor que sinto e que é tão real, tão forte a ponto de me colocar em posição antálgica. Viver dói.
    Esta posição em resposta à dor da alma é minha defesa até a resolução do incômodo e é exatamente o que me tornou contraditória e como jamais pensei ser na vida.
    Todo dogmatismo que defendia foi parar no espaço e virou coisa de “gentinha”.
    Uma contradição que chegou ao limiar da descontrução total do meu pequeno ser, mas que apesar da notória pequenez foi um processo de edificação longo, feito obra de igreja.
    Toda minha estrutura montada sob a égide de um dualismo e militando bravamente em favor de um dogmatismo se desfez quando descobri bem tarde que tudo é tão relativo…
    Mas assim fui educada…
    Todo um ser reformado com base em uma multidisciplinaridade pedagógica desconectada de mim mesma, do mundo e formatada para uma obediência cega em troca de uma solidez questionável.
    Mas obediência cega sempre foi o meu calcanhar de Aquiles.
    Fui menina obediente mas mulher dos porquês.
    Segui na vida em busca dos porquês e estes até hoje me confundem, me atormentam.
    Vim assim batendo cabeça aqui e ali, até descobrir que não existem resposta para todas as perguntas e que bom isso!
    Aprendi que existem duas faces – a cara e a coroa – na mesma moeda, e que ninguém sabe informar ao certo qual é o lado bom ou mau da moeda, se ambos são bons ou se ambos são maus ou ainda, se cada um dos lados contém o bem e o mal simultaneamente.
    Cada qual que escolha a sua versão, o seu quadrado, se isole nele e construa-se com base na escolha que fizer.
    Fiz a minha e segui adiante até descobrir que os quadrados podiam se misturar e formar um novo quadrado, com relação de hierarquia entre eles ou seja, vários subgrupos contidos e um grupo maior, com gradações de valor.
    Mais recente descobri que os quadrados podem se misturar, trocar saberes e depois cada um pode seguir seu caminho sem se sintetizarem e que ao se separarem levam cada um algo do outro mas sem que se submetam.
    Se para o bem podem caminhar lado a lado como que estabelecendo conexões mas nunca, jamais se fundirem.
    É muita filosofia…
    Mas é extamente assim que caminha a humanidade. À luz dessas ideologias que que vem e vão, como uma onda do mar. Correntes de pensamentos que se modificam por tantas e tantas razões…
    Já cantam “é natal” e a cidade já se enfeita, se prepara para as festas de final de ano, da mesma forma que se enfeitou no ano passado e que se enfeitará por longos e longos anos se nada se modificar nesse intervalo.
    O porto maravilha segue sendo construído, apesar dos questionamentos existentes de favorecimento das elites, de apagamento da história da cidade. O moderno invade desapropriando habitações e vidas do local.
    Mas toda construção é um compartilhamento de ideias nada originais, antes, tudo é remixado, usando as palavras do professor Charles Feitosa. Então somos co-participantes da construção (ou seria desconstrução?) do porto maravilha e como SER, não passamos de remixagens – uma espécie de Frankenstein da nova era.
    E nessa dança do que se é ou não é, eu sou eu e você é você numa interação sem submissão.
    Feito isso, cada um pode seguir seu próprio caminho, avançando e estabelecendo novas conexões ou nos reconectando e isso dependerá do que pretendemos construir ou melhor dizendo, do que almejamos repaginar, resgatar, uma vez que nada é novo mesmo.
    Mas, voltando à questão da dor… dói perceber que os anos passam, que as coisas passam; que pessoas queridas passam…
    Dói também o vazio, a insegurança, a solidez, o tudo, o nada, o nenhum lugar que muitas vezes desenhamos com nossas próprias mãos.
    E ainda que com muito poder traçássemos o que poderíamos chamar de futuro, dói saber que nenhum princípio é inalterável, inquestionável e que estamos sujeitos algum dia a apagá-lo ou editá-lo ou reescrevê-lo, já que “ser” humano significa viver em uma condição de constante mal-estar.
    Na realidade fomos educados para a insatisfação e é essa insatisfação desmedida, essa eterna sensação de descontentamento pela qual somos absorvidos, que alimenta a gula, a ambição da era pós-industrial.
    Um giro fora desse eixo, causaria tonturas, o que seria um problema. Mas, representaria a possibilidade de enxergar o novo, que na verdade não é essencialmente todo novo mas sim uma repaginação do que outrora já existiu.
    Este novo que não é novo, promoveria realmente uma mudança ou apenas a aparência de mudança? Eis aí mais uma questão!
    Girei fora do eixo e arrumei foi mais problemas para a cabeça.

    Rogéria Reis
    RJ, 13/11/2013

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  10. Janaina Tavares
    Janaina Tavares 14 de novembro de 2013 at 17:49 |

    Nada é absoluto. O para sempre é uma tortura. Ainda bem que tudo acaba, possibilitando que outra coisa se inicie. Os lugares e os objetos possuem memória. “O pensamento sente e o corpo pensa.” Os impulsos são vômitos aguados. Com o tempo o visível torna-se invisível e o que já é invisível vira o que? Andar em círculo. Suspender-se. Vínhamos escrevendo sem pontuações, hoje surgiu um ponto na esquina da emoção, tropecei, bambei. Mas tudo indica que virão outros parágrafos. Dê um desconto, é o calor e o peso da realidade. Escapar das dualidades e inversões. Dá um pé na bunda da negatividade. Por que suportamos isso tudo? As nossas necessidades partem de nós? Por que eu vou para a aula às 8h? Por que eu pego um trem lotado? Por que minha vizinha atura um marido agressivo? Os fragmentos. Só as palavras me suportam. Sustos. Obra, bomba e porrada na traseira do ônibus. Surtos. Ruídos. O grito silencioso. A tristeza no rosto da faxineira do Museu. É sempre assim, quando eu trago o guarda-chuva não chove, hoje que eu não trouxe choveu. E a senhora vai embora que horas? Oito da noite minha filha. A senhora trabalha 12 horas por dia? O que dizer depois da confirmação? Falar da mais-valia, que isso atinge as leis trabalhistas? E ela come o feijão de que maneira? Me sinto impotente. O teto do banheiro parece ficar mais perto de minha cabeça. O jornal compartilhado no metrô. Adoro ler jornal de passageiro e ainda comentar como se fossemos conhecidos. Oras, passo 40 minutos ao lado de uma pessoa e ainda assim somos desconhecidos? Os dedos dizem o que a boca não consegue expressar e o coração não consegue admitir. A Pedra do Sal vira nosso quintal por 10 minutos. As certezas nunca existiram. Só a de que vamos morrer, de que a comida vira merda, a Terra é redonda – e algumas pessoas quadradas – , e que a água do mar é salgada. A chuva vem do alto mas pode hospedar-se no buraco da calçada do buteco e das pálpebras. Bento, homenzinho de 10 anos muito estressadinho e cavalheiro ao mesmo tempo nos diverte. Você gosta de ler gibi, revista? Não, de jeito nenhum. Gosto de ler poema. Cabelo de nuvem. As crianças não gostam de serem tratadas como crianças. Elas querem ser independentes. Você sabia que cavando alguns centímetros aqui, achamos água? Vocês são namorados? Não. Respondemos quadradamente. Sorte a dele de só conhecer uma nomenclatura para relações. Rua lavada por gelo derretido. E eu censurando meus sentidos. A dor da felicidade. A dor na esperança às vezes magra pedindo moeda. Ou seria a dor da sobrevivência? A Filosofia te prepara para o porvir? Tsc-tsc. O que eu quero aprender com a Filosofia no momento é não ser imediatista. Não sei o que eu sou, nem pra onde eu vou. Mas sei que tudo está em mim e eu estou no tudo. Mas pra quê ir a um puteiro? Para observar, conhecer. Antropologicamente. Na verdade, existencialmente. Não ter pressa. Aprender a suportar um engarrafamento de carros, de almas e de diferentes realidades.

    Jana Tavares.

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