Sobre a Oficina Literária com a Profª Martha Alkimin

A partir da leitura do ensaio de Elizabeth Muylaert Duque Estrada, publicado na revista Confraria do Vento (http://www.confrariadovento.com/revista/numero11/ensaio04.htm), a professora Martha Alkimin abriu a primeira oficina da UQ, cujo principal objetivo era sensibilizar os  Quebradeiros para aquilo que a ensaísta chama de “a interessância” da literatura. Seguindo as pistas de Jacques Derrida, a autora busca compreender as razões pelas quais a literatura é “mais interessante do que o mundo”. Assumindo o ensaio como referência, a oficina abriu o debate para pensarmos a literatura e o fazer literário como acontecimentos não inocentes, mas sim como matéria pensada, sentida, trabalhada e elaborada. Na manifestação poética, a palavra inventa outras realidades, outros universos. Nesse sentido, a literatura é um constante abismar-se diante do mundo, é uma vertigem.

4 comentários

  1. rute casoy
    rute casoy 14 de abril de 2015 at 7:51 |

    Nos dias 10, 17 e 24 de março a nova turma da UQ 2015.1, foi brindada com a sua novíssima Oficina Literária comandada, sei lá se posso assim dizer, pela professora Martha Alkimin.

    É surpreendente a empatia que Martha consegue na sua aula, quase uma performance de paixão pelo assunto.

    Como que assim fica fácil pra todo mundo meter o dedo sem precisar fazer doce!

    Dia 10

    Encontro 1.

    A turma compareceu numerosa e ávida.
    Marha abriu os trabalhos citando uma colega mortal e comum como todos nós, Elizabeth Muylaerth Duque Estrada, que num artigo sobre literatura cita Jacques Derrida, que diz ser “ a literatura a coisa mais interessante do mundo talvez mais interessante que o mundo”.

    Ser e literatura/ arte e vida. Ser atravessado pela experiência radical da arte. Ser de linguagem. Tudo em mim é linguagem. Ser predicado de linguagem.

    Foram as provocações.

    Vejo no meu caderno a palavra porosidade como um rabisco torto e bem sublinhada avoando acima, logo abaixo da data.

    Vejo a palavra interessância sublinhada duas vezes voando solitária no cabeçalho do meu caderno.

    A palavra é minha impressão digital, anotei.

    A poesia ou seria a literatura como “Estado de Talvez”, nem deu tempo de anotar o autor da citação.

    A fala da professora tem intensidade, é veloz, difícil de acompanhar.

    Peraí professora quem é mesmo o autor disso aí?

    Outra esfera, a poesia, o mundo passa a ser outro mundo.

    A arte completa o mundo – Aristóteles, ufa peguei!

    A palavra é o corpo da literatura

    Qual é o seu lugar? Qual a potência/ qual extensão?

    E aí a professora nos lembra Machado de Assis/ Capitu.

    Cita exemplos de dentro e de fora da rede Globo.

    E vai nos alertando que devemos ali, naquele exato momento tentar perder a inocência.

    Como aluna resisto. Demorei quase 63 anos tentando resgatar minha inocência. E agora vejo que preciso colocar minha inocência mais uma vez em julgamento! ok, paciência, vamos lá!

    Critério. Juízo de valor. Capacidade de reflexão, sim!

    O lugar da literatura como máquina de funcionar, como assim? Não entendi!

    Produção de conhecimento ou produção de acúmulo?

    entretenimento, mercado X obra de arte? Onde está o lugar literário, o lugar poético?

    Vamos nos comprometer com a não ingenuidade.

    Pessoalmente aceito melhor ingenuidade (tenho medo de perder minha inocência e nenhum medo de perder a ingenuidade).

    No final a professora nos oferece um êxtase: Vamos saber entrar!

    Sim, sim e sim, vamos sim! Minha imaginação respondeu em coro!

    Vamos mobilizar o afeto. Sim quero afetar e ser afetada e nada mais.

    Dia 17

    Encontro 2

    Aviso.
    Desfiz noivado. Vendo sem uso. Almofadas soltas, mesa, sofá,e arquinha.

    O que é? O que não é literatura?

    A literatura não negocia, não tem ingenuidade, é feita de conflito.

    A literatura pode ser entretenimento, pode dar conforto?

    Todo verso tem dor, tem conflito, tem limite entre o dito e o não dito.

    Cada um colocou sua mão na massa. Um por um dava vontade mesmo.

    Vontade de pixar as paredes, de sangrar, de transbordar.

    Vamos gerar por aqui, disse Martha, potência de reflexão.

    Não ficar só na roda. Isso aqui não é terapia.

    Vamos marcar um espaço quebradeiro que fura a expectativa.

    Pautar temas/problemas.

    O que é margem, o que é Cânone. Quem decide? Vamos politizar a questão!

    A proposta/ o convite é chegar em resultado. Texto canônico e texto da margem.

    Concluindo a professora nos atenta que aqui se produz interpretação.

    No final da minha anotação a palavra tensão bem centralizada no meio do papel nadando como um peixinho num fundo do mar.

    Dia 24

    Encontro 3

    Quem conseguiu trazer um texto canônico e outro marginal sobre o que é literatura? Alguém? Ninguém?

    Surpresa! Todo mundo!

    Interessa saber?

    Para Heloisa Buarque de Holanda, nossa coordenadora, não interessa saber o que é e o que não é, o que diferencia um texto literário.

    E daí?

    Marcus Faustini produziu o guia afetivo da periferia. Conhecem? Sim conhecíamos.

    Temos que discutir o Suporte!

    Vamos teorizar as sensibilidades que já se apresentaram na aula passada.

    Flutuação sobre quem decide, que comunidade? Conversa de parede?

    Isso aqui não é sarau, não é terapia é um espaço de pesquização.

    É pesquisa porquê eu estou intervindo, processo de eleição: canônico/não canônico.

    Para lembrar que no espaço da experiência há troca de repertório, troca de sensibilidade e ressimbolização.

    É pra quebrar as fronteiras!

    Neste campo aqui há abertura para nossas experiências. Quem pode falar? Qual o nível de disputa?

    Apostamos na assunção de uma voz que não precisa de mediação!

    Exemplo: 400X 1 / William Silva

    É papel prepotente dar a voz.

    Exemplo: Caco Barcelos

    Outro assunto: mistura de plataformas: Suporte livro, suporte digital.

    Forma/ conteúdo/ química/ abertura para diferentes formas de ressimbolização.

    Exemplo: Jessé Dantas, presente!

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  2. Tássia di Carvalho
    Tássia di Carvalho 13 de abril de 2015 at 21:20 |

    Adorei as aulas da Martha. Às vezes deixamos de escrever por acharmos que o que temos a compartilhar não é certo, não se encaixa em algum padrão, mas não somos robôs para nos encaixarmos em padrão e toda a nossa fala é importante, porque é a nossa bagagem, a nossa fala!

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  3. Clarice Maria Fonseca Oliveira
    Clarice Maria Fonseca Oliveira 31 de março de 2015 at 23:44 |

    Mínimo Gesto

    Subi ao céu
    olhei nuvens e estrelas
    tão alto, tão alto
    que já nem sabia voltar
    no silêncio
    no mínimo gesto
    ai ai ai
    o vento me trouxe
    e sacudiu minha alma
    para o viver eterno
    agitando de leve
    as camadas de ar

    Clarice Azul

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  4. Clarice Maria Fonseca Oliveira
    Clarice Maria Fonseca Oliveira 31 de março de 2015 at 23:28 |

    Silêncio

    A noite cai
    o escuro é denso
    o medo insiste
    o interno vaza
    humano, demasiado humano
    Escolhe e traça a curva
    Corta a lâmina
    da carne
    Sobra a alma
    coração destroçado
    lacuna ferida
    no ar
    silencio
    Clarice Azul

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