3 comentários

  1. PH Ribeiro
    PH Ribeiro 25 de junho de 2015 at 17:59 |

    boa Marcus, você é excepcional! Sensacional!

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  2. Barbara Iung
    Barbara Iung 8 de junho de 2015 at 20:24 |

    Professora Simone sempre sendo a nossa musa inspiradora!

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  3. simone bondarczuk
    simone bondarczuk 8 de junho de 2015 at 10:04 |

    O discurso poético não é sempre um poema, porque não se funda na estética das palavras e da verborragia. A mera, sempre arbitrária, ordenação de palavras cujo juízo estético vigente considera “belas” não constituem um discurso poético, pois fundam-se na inocuidade das classificações de gosto. O discurso poético tampouco é aquele discurso que seduz e conduz pelas vias tortas e ásperas de uma declamação retórica que serve à fins ideológicos – isso é um discurso retórico. O discurso poético não é também um discurso que enuncia verdades, no sentido de seu dizer concordar com ideias, não é um discurso cientifico. Muito mais originário e principiador, o discurso poético é aquele que desvela todo real para que o ouvinte, nesse desvelar, perceba e experiencie, pense e se movimente. O discurso poético doa ao ouvinte uma experiência e um conhecimento (não análogos à, mas) de vida. É um discurso sempre de criação, pois, ao ser enunciado, fecunda e principia sempre a gênese de uma diferença, um novo, um outro. Por isso o discurso poético não pode se reduzido ao simples fazer poemas, à retórica da sedução ou à vontade de verdade, porque nem todo poema, nem toda retórica e nem toda interpretação científica fazem eclodir o poético, isto é, não desvelam a criação como habitação e moradia do ser, para que o ouvinte, demorando-se, realize uma experienciação vital e vitalícia no ouvir dito. O que, por exemplo, constitui a narrativa mítica como poética, não é a forma, nem o conteúdo, nem a veracidade do que é dito, mas o caráter de inauguração e criação do e, no que é dito. É o vigor dos grandes poemas e dos grandes discursos que está em jogo. É a abertura para que o homem, na posição de ouvinte, radicalize-se no mais radical sentir, e descubra nessa radicalização sentidos. Esse sentir é vivenciação. Por isso, todo e qualquer discurso, independente das classificações, pode ser um discurso poético se simplesmente traz consigo o poético. Por isso, as diferenciações entre verso e prosa, verídico e inverídico, verdade e mentira, bonito e feio não estão no âmbito e no jogo do poético, já que se fundam sempre na determinação ideológica de uma posição fixa. Daí segue-se que o discurso poético extrapola os limites da comunicação, ele nada comunica, ele cria e doa-se como desvelar criativo, como espanto e moradia, como avalanche de sentido. O discurso poético não nomeia, mas alude.

    Por Marcus Vinicius Caetano de Freitas (orientando de iniciação científica da professora Simone Bondarczuk)

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