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  1. Rogéria Reis
    Rogéria Reis 3 de abril de 2014 at 15:25 |

    Literatura de cordel, com Mestre Aderaldo Luciano, por Rogéria Reis…

    Muitos já sabem do meu amor pela cultura nordestina. Não nasci lá, mas desde pequena sempre fui apelidada de Baiana, e por andar sempre com os longos cabelos armados, meu primo Ivan, me chamava de Gal.
    Tinha um tio do Piauí, Teresina, e seu sotaque me chamava a atenção.
    Hoje, alguns amigos mais chegados, me chamam de Maria Bonita.
    Dos vídeos que existem disponíveis sobre o cangaço, creio que já assisti praticamente todos. Já visitei a Feira de São Cristóvão, que era um grande desejo. Gosto do Caetano, do Gil, da Betânia, da Gal, do Tom Zé, do Zé e Elba Ramalho, do Geraldo Azevedo, do Gonzagão, do Gonzaguinha, do Trio Virgulino e por aí vai numa lista interminável de talentos.
    Patativa do Assaré, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Assis Coimbra e pra completar, meu filho João Pedro, que Deus tomou para si, tinha como mãe biológica uma pernambucana. Daí, danou-se, tomei foi mais paixão e arriei os quatro pneus pelo Nordeste.
    Pela literatura de cordel, sempre tive o maior respeito. Achava que sabia alguma coisa mas, qual foi minha surpresa na aula do mestre Aderaldo Luciano, grande pesquisador sobre o tema e seus grandes nomes.
    Aderaldo afirmou que o cordel segundo suas pesquisas não é sertanejo de origem, mas da região brejeira da Paraíba;
    Que o cordel já nasceu escrito e não veio de uma tradição oral.
    Que os primeiros cordéis não estavam atrelados às xilogravuras como se pensa e que esta veio algum tempo depois.
    E mais, que o cordel surgiu de modo experimental, artesanal sem nenhuma influência com a literatura portuguesa que se saiba.
    Que o nome cordel foi dado por um francês que viu alguma semelhança com a poesia de Portugal, esta sim, exposta, pendurada em cordas.
    No Brasil eram vendido os folhetos, versos ou romances como eram denominados, em malas e não pendurados em barbantes, como sempre pensamos.
    Aderaldo, fala da estruturação poética de um cordel, que é sextilhado com rimas no segundo, quarto e sexto verso, sendo o de 64 verso, denominado romance.
    Ele traça a trajetória do cordel desde o seu nascimento até sua chegada no Sudeste e Centro-oeste, com a migração em massa, dos nordestinos.
    Os cordéis na sua maioria usavam como temáticas as críticas sociais e o sertanejo era um resignado, oprimido pelo coronelismo, portanto suas poesias não abordariam temáticas sociais.
    Discursou um tanto da história dos ilustres cordelistas:
    Leandro Gomes de Barros e Manoel D’Almeida Filho.
    Contou que a crise dos cordéis artesanais, se deu com as publicações da editora Luzeiro, de São Paulo, em larga escala, dando colorido às capas, como diferencial ao folheto original, produzindo-os e vendendo por preço populares.
    Mas, os textos e os direito autorais eram preservados nas negociações entre os poetas e a editora Luzeiro.
    Perguntei ao mestre Aderaldo sobre a mulher no cordel e o mesmo contou do relato de uma que adotou o heterônimo masculino de Altino Alagoano,
    para que seus cordéis fossem aceitos.
    Agora sim, creio que estou sabendo algo sobre a literatura de cordel.
    Obrigada, Mestre Aderaldo Luciano, por compartilhar conosco, a aura do seu saber.

    Rogéria Reis
    RJ, 03/04/2014.

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