10 comentários

  1. Janaina Tavares
    Janaina Tavares 30 de novembro de 2013 at 17:12 |

    “A essa altura da vida não me interessa as convicções, eu quero os fatos.” Estou com os olhos abertos. Circulando. Circulares. Há existência nos fatos. Há poesia nos dias. No tempo. No transcorrido. No porvir. E o que vem além dos pontos? Acomodei os descansos no seu colo. No seu peito abro caminhos. Por que você veio? E por que não vamos embora de nós mesmos? Eu sinto a saudade atravessando a saliva. Costuro a tarde quente na varanda dos sonhos. Desengasgo as reticências presas na garganta. “Sou toda gota que escorre livre pelo rosto.” Chovemos para poder acordar vomitando o Sol. Lavo os gestos. Enxugo o corpo. Desamasso as angústias e as guardo no fundo do armário. Além dos fatos eu quero os atos.

    Jana Tavares.

    [Angela, sua doçura rasga todos os sentidos, mas isso tudo para podermos nos costurar com mais firmeza no mundo]

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  2. Luiz Fernando Pinto
    Luiz Fernando Pinto 29 de novembro de 2013 at 14:26 |

    Angela Carneiro, que aula! Deixou me com os olhos mudos e a boca surda, tanto que nem consegui te parabenizar.

    Pensando em tudo que você disse na aula. Me veio a imagem do Catador, uma das profissões que tenho desde criança.

    Profissão Catador
    Diariamente leio os artigos de Braulio Tavares em seu blog “Mundo Fantasmo”, devo tal hábito a profissão que adquiri nos tempos de moleque.
    Antes de nascer minha vida já estava escrita pelos meus pais, bastava apenas eu seguir tudo que planejaram. Nascer, tirar fotos com os familiares para a construção do álbum de família, me banhar com aquela água gelada na Paróquia Santa Cecília, pronunciar “papai”, a primeira palavra dita por mim no mundo, não chorar quando for à creche, ser o melhor aluno da escola, cursar a faculdade e virar doutor.
    No começo tudo estava indo de acordo com o planejado, cumpria o papel que me foi dado com maestria. Mas por acaso fui pego com o “devo ser isto” mas “posso ser outro”, explico adiante.
    O álbum de família iria se completar quando eu tirasse a foto com anel de doutor e o diploma. Mas bem antes disso, quando menino, conheci uma profissão que hoje vejo ter sido o meu primeiro ofício. A atividade de Catador.
    Comecei adquirindo conchas de praia, anéis de latinha, porcas e parafusos encontrados no meu bairro, entre outros utensílios. Aos 5 anos me deparei com um concorrente, era um senhor de barbas longas que todos os dias pela manhã fuçava os sacos de lixos que os moradores colocavam na calçada. O que o velho não sabia é que antes de minha mãe colocar o lixo para fora eu fazia limpa e catava tudo que me chamava a atenção, sem que minha mãe percebesse é claro.
    Me achava inteligente por acreditar que estava passando a perna no velho barbudo.
    Anos após disputar com meu concorrente os objetos interessantes depositado nos lixos eu tive uma visão. Não essas visões de aparição de Nossa Senhora ou de algum ente falecido, percebi que poderia continuar a profissão de Catador de outra maneira, sem precisar fuxicar os lixos e sujando a mão com objetos achados na rua.
    A explicação: As coisas que eu catava possuíam memórias, corpo, histórias, que pertenciam a alguém. Então “posso ser outro”, não deixando de ser eu. Comecei a circular pela cidade, catando histórias, palavras, gestos, tic’s, desperdícios, imagens, etc. Com isso fui juntando um item adquirido com outro, e como num passe de mágica acabava criando textos, desenhos, sonhos, teatro, rizoma. Eram os outros em mim.
    Chamei meus pais e juntos revisamos o planejamento que tinham feito antes de eu nascer. Fizemos algumas mudanças, todo planejamento pode ser revisto.
    Sou de profissão catador, sem carteira assinada, nem regime CLT, não penso em aposentadoria. Sou catador e não serei doutor.
    Ah, e o Braulio? Faz parte do acervo que ando catando desde de moleque!

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  3. ZineØØ
    ZineØØ 28 de novembro de 2013 at 21:42 |

    Vixi! é assim? quem topa? tô topos!! diga-me como topar da melhor forma, tipo: topo até topada e tipoia, porque se tu topares nóix tulipas, universo todo topázio! rss
    (…u bagulho ficou sério!..)
    xnd

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  4. angela carneiro
    angela carneiro 28 de novembro de 2013 at 13:39 |

    A todos virei gratidão, fui reinventada na escuta de todos, puro devir música: silêncio e som, respiração e inspiração.
    Das 96 pranchas que preparei mostrei 57, logo elas retornarão, pois estão entre nós.
    Ficam os desafios para as novas cartografias e os processos que nos trans ver satilizam ( fala Xandu!).
    Quem topar vamos formar um grupo de trabalho para desenhá-las estéticamente, mesmo que provisórias e parciais, mas intensas enquanto durem.

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  5. Rogéria Reis
    Rogéria Reis 28 de novembro de 2013 at 0:13 |

    A crítica à raiz, à radícula e a proposta do rizoma, eis a filosofia contemporânea de Deleuze.
    A proposta de Deleuze:
    Fugir da dicotomia e dar lugar ao pluralismo de ideias e conceitos, à distribuição de poderes, à descentralização, à derrubada das hierarquias, das estruturas, desterritorializar, reterritolializar., enfim, um constante movimento, um giro de conceitos que a todo momento são revistos.
    Se à filosofia moderna só cabe conceituar e não emitir respostas, quem sou eu para responder?
    Fazer projeções matemáticas no campo da filosofia. Quem há de?
    Achei interessante também quando a Angela colocou que precisamos entender a lógica neoliberalista na qual estamos inseridos e a partir daí fazer análises desse sistema no tocante a sua influência na politica, na economia, na arte, nos comportamentos, enfim em todas as dimensões humanas.
    Muita calma nessa hora, pois nem tudo que reluz é ouro.
    Pensar, pensar e pensar continuamente o mundo em que vivemos e depois de ter pensado, pensar mais um pouco. Nunca é demais.
    É ter olhos grandes para enxergar, ouvidos grandes para ouvir, nariz grande para cheirar, boca grande para falar enfim, sentidos para sentir.

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  6. ZineØØ
    ZineØØ 28 de novembro de 2013 at 0:08 |

    Angela querida, hoje lembrei muito de você!! estive no MAC de Nicterói, com a missão de levar o mesmo tema que vc nos apresentou… Não fiz do seu jeito lindo e carinhoso de tratar nossas transversalidades (ou TransVersatilidades, como algum quebradeiro falou na aula do Feitosa – eu achei ótimo isso! rss), mas guardei o emocional da coisa, levei o “guerreiro corajoso” comigo – e ofereci ao Forum Joseph Beuys um pedacinho de ti! epopeia e gratidão, palavras boas!
    beijuuus!
    Poeta Xandu

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  7. Tetsuo Takita
    Tetsuo Takita 27 de novembro de 2013 at 23:25 |

    Tá aí uma aula que me fez viajar, por tudo que eu mais acredito,de Deleuze a Descartes (este por minha conta e risco rs).
    O mundo em termos de campo de força.
    Caminhar no caminho que sustenta uma tensão.
    “Como se as coisas tivessem alma.”
    Elas “são” almas sim, Janaína Tavares.
    Em vez de ter as coisas conviver com a alma das coisas.
    Rizoma + micropolítica.
    A capacidade de se espantar a quantas anda?…
    Se deixar surpreender pelos acontecimentos.
    Qual é o meu contorno? Quais são as opções.

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    1. Rogéria Reis
      Rogéria Reis 28 de novembro de 2013 at 0:32 |

      Também pensei em Descartes, Tetsuo quando pensei que a impossibilidade de aplicação do método cartesiano não assegura como verdade, um conhecimento, porém ainda nos é permitido duvidar de tudo. Muita calma nessa hora, diria Descartes. Nada de precipitações. Fazer projeções matemáticas para o futuro? Quem há de?

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  8. Edmar Júnior Oliveira
    Edmar Júnior Oliveira 27 de novembro de 2013 at 16:40 |

    Criar caminhos e possibilidades de se fazer no coletivo, com outro, as vezes nos vemos numa ilha como se estivéssemos sozinho, olhamos para o nosso umbigo pela imposição social e sua condicionaste do indivíduo único, individualista.

    Mas sempre existe uma possibilidade de construir baseado no afeto catalisador, obg grande Angela por nós proporcionar essas reflexões de uma maneira tão sublime e ética!

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  9. Fabio Augusto
    Fabio Augusto 27 de novembro de 2013 at 15:46 |

    “Ter um novo ponto de vista nos tira da zona de conforto.”
    O dominante,aquele que tem o poder do controle,do registro e da organização,acaba sempre se colocando na centralidade da questão.Talvez por autoafirmação,talvez pelo medo de perder o poder do controle.
    Analisar o desconhecido,o recém descoberto , não é prioridade!!
    Ofuscar a história e sua importância,resaltar a “não cultura” e a falta de humanização, se faz necessário para perpetuar a condição de dominante.
    Estamos todos cerceados do direito de ter desejos,mas nós artistas, temos a necessidade de criar linhas de fuga e o melhor caminho é o lado do bem, do amor.
    “O afeto precisa de tempo e do corpo.”
    Precisa de tempo para agir e transformar e precisa do corpo para receber.
    Corpo físico, dorso lúdico.
    Sentir o afeto por dentro e por fora, essa é a meta.
    Buscar o tempo necessário para fazer o antigo se ver,
    expulsar o ruim e acolher o que faz bem.
    Quero redescobrir o novo através do afeto,construir um frondoso rizoma.
    Botanicamente falando, cuidar da planta.
    Obrigado Ângela, sua visão certamente nos abre novos horizontes.
    Fabio Augusto Pedroza.

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