Como fazer um projeto

Os trabalhos no dia 19 de novembro começaram com o território do encontro, um momento dedicado à opinião entre alunos, professores e coordenadores, sobre o andamento das aulas e projetos. Um dos pontos tocados pelos quebradeiros foi a insistente falta de oportunidades para uma maior interação entre a turma. Também se falou sobre  a presença,  as saídas culturais , o trabalho a ser feito  para o território da linguagem e as últimas  atividades do ano.

ramoz_moniqueA professora da Faculdade de Educação da UFRJ Monique Andries Nogueira ministrou uma das aulas mais esperadas do semestre sobre como fazer projetos, esclarecendo muitas dúvidas a respeito do formato do trabalho final.

Ficou decidido que serão aceitos artigos ou projetos para editais. Com algumas regras similares para os dois. Monique salientou que é necessário ter afinidade com o tema, no caso do artigo é preciso ter uma bom fechamento das ideias,  foco e um recorte especifico.

Ela dividiu o projeto em três partes, são elas:

Tema – Algo que seja importante para o autor, que se tenha algum conhecimento prévio, para que o projeto não se torne superficial.

Justificativa – Mostrar a relevância do seu projeto, nas dimensões social e pessoal.  Você tem que saber como “vender seu peixe”.

Objetivos – Representam os resultados que devem ser alcançados. Mas atenção; é preciso ter cuidado para não superestimar os objetivos. Os objetivos devem estar diretamente ligados ao projeto e não depender de outros fatores.

É aconselhável que se escreva na norma considerada padrão pela sociedade.

Após a apresentação dos slides houve uma divisão entre dois grupos, um deles era mais focado para os quebradeiros que estão interessados em fazer o projeto como trabalho final, os quais serão auxiliados pelo produtor Pablo Ramoz, e outro para os que escolheram o artigo auxiliados por Monique.

Bibliografia:

  • ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 9ª. Ed. São Paulo: Perspectiva,1992.
  • HENRIQUES, C.C. e SIMÕES, D.M. A Redação de trabalhos acadêmicos – teoria e pratica. 3ªed. RJ: UERJ, 2004.
  • HOUAISS, A. VILLAR. M. Dicionário Houaiss da lingua portuguesa. RJ: Objetiva, 2001
  • MOREIRA, H. E CALEFFE, L.G. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador. 2ª. Ed. RJ: Lamparina, 2008.

Links:

 

Octávio de Souza – Bolsista PIBEX PACC\UFRJ

8 comentários

  1. Carlo Alexandre Teixeira da Silva
    Carlo Alexandre Teixeira da Silva 29 de novembro de 2013 at 9:31 |

    Extendendo as reflexões sobre a aula para os editais e as políticas públicas para a cultura local, diga-se Zona Portuária:

    Nos últimos 3 anos, atuando como produtor cultural na Zona Portuária do Rio, tenho acompanhado desde o início o Projeto Porto Maravilha, incluindo as escavações e posterior re-inauguração do monumento/memorial do Cais do Valongo. Devido a isso, tive a chance de observar fatos relativos aos achados arqueológicos, assim como das disputas por espaços, territórios e de oportunidades de negócios, projetos e editais que tem regido os acontecimentos e o desenvolvimento daquela área desde então.
Nesse sentido, tenho acompanhado o desenrolar também de dramas que abrangem desde a remoção forçada das populações faveladas da comunidade da Providência até a partida daqueles moradores que viviam no “asfalto”, Morro do Pinto, M. da Conceição, Gamboa, Santo Cristo e Saúde, que devido a valorização de seus imóveis acabam seduzidos pelas oportunidades de venda que a especulação imobiliária desde então vem provocando na região.
    O cenário é de oportunidades, disputas e lutas culturais, devido as oportunidades que bateram as portas tanto de nós produtores, agentes culturais e gestores, quanto da população que por várias décadas aguardavam a re-urbanização e a mesma atenção que o poder público dava a outras áreas da cidade, tanto quanto à regeneração urbanística e paisagística quanto para a reativação econômica da área que circunscreve a Zona Portuária.
    Porém, seguindo a lógica de outros projetos históricos de urbanização, desenvolvimento e gentrificacao que se desenrolaram no Rio e na Zona Portuária, mais uma vez a maior “fatia do bolo” ficará com as grandes empresas, mega corporações e os especuladores, que já se apropriaram de grande parte dos galpões, casarios e terrenos públicos e privados, que servirão de base para as atividades mais lucrativas na região.
    Passando para os âmbitos da cultura e das políticas públicas do século passado, pode-se enumerar alguns exemplos que seguem a lógica da “Cultura da Economia” ao contrário de transformar a cidade sob o ponto de vista da “Economia da Cultura”, onde os interesses públicos e privados deveriam se adaptar aos interesses da cidade e sua diversidade cultural e consequentemente de seus maiores interessados, os cidadãos cariocas e a população local. Mais uma vez não é o que está acontecendo em nossa cidade. Assim foi quando foi desmantelada a base da riqueza cultural, arquitetônica, histórica e memorial do Rio – surgida através da mistura e fusões de ritmos, religiões e costumes, promovidas por diversas etnias, que contribuíram para a formação da cultura nacional – quando o Prefeito Pereira Passos desmantelou e pôs abaixo o Morro do Castelo, marco fundador da cidade, e apagou do mapa a Praça Onze e a Avenida Central, para citar três áreas que foram destroçadas pelos governos desenvolvimentistas que já passaram pelo Rio de Janeiro.
    Obviamente dirão que o desenvolvimento é necessário e que faz parte da vida de uma cidade pagar pelo preço dessas transformações. Mas, porque outras cidades como Londres promoveram o “tombamento” e protegeram quase a totalidade de sua arquitetura histórica, a Vitoriana, por exemplo? Porque eles sabem que isso gera turismo e divisas, e a cidade sobreviveu e continou a crescer e a se desenvolver, além de ser uma das mais visitadas no mundo.
    A preservação de áreas de valor histórico e arqueológico é prática comum não só em países como Inglaterra, mas também na Itália, Grécia, Israel, Egito, Japão e outros. No entanto, no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, essa preocupação ou inexiste ou é tratada como coisa menor, bastando trazer a tona um retalho desta história para que tudo fique bem e todos fiquem satisfeitos.
    Retornando aos editais e concorrências, vimos com preocupação, que assim como no passado, os financiamentos e editais de fomento favorecem aos grupos que detêm poder ou que pertencem às redes de relacionamento meritocratas. A aquisição de galpões, terrenos e dos prédios mais cobiçados da Zona Portuária já tem seus destinos traçados e se ainda não tem, uma boa forma de reparar as polícias de venda, licitações e entregas destes bens à elite cultural carioca e internacional, assim como aos grandes investidores, seria a de permitir que estes mesmos sejam disputados pelos pequenos agentes, produtores, gestores, grupos culturais representativos etc que queiram usufruir das mesmas oportunidades.
    Uma das metas do Plano Nacional de Cultura é o de “Gestores capacitados em 100% das instituições e equipamentos culturais apoiados pelo MinC. Por outro lado, uma outra meta que poderia ser pensada é a capacitação do MinC e outros orgãos públicos da cultura em ouvir o que nós gestores, agentes culturais e produtores gostaríamos de ver acontecer nos territórios criativos e naquelas mesmas instituições e equipamentos culturais, e nas formas e sistemas de fomento implementadas no Brasil, assim como quem deve ser beneficiado e de que maneira isso deve se dar. Da mesma forma, como deveriam ser limitadas a atuação de uma elite da cultura que perpetua a forma como esta cultura é pensada, produzida e financiada no Brasil.
    O Porto Maravilha, um projeto emblemático e que carrega símbolos de um Brasil em transformação e em desenvolvimento, através de seus idealizadores e gestores, poderiam aproveitar essa oportunidade histórica e ao invés de seguir na contra-mão dos anseios de milhares de cidadãos que ali residem e trabalham, deveriam pensar no desenvolvimento do Rio enquanto cidade cidadã e democrática.

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  2. Tetsuo Takita
    Tetsuo Takita 24 de novembro de 2013 at 17:56 |

    Embora não podemos nos apoiar somente em editais, pois eu acredito na iniciativa, tanto, que se não fosse esta própria de nós Quebradeiros, muitos de nós já teríamos morrido de fome.
    Me irrita um pouco o parasitismo artístico, tendo que enquadrar os nosso projetos ao que a cultura estatal e fria quer de nós, mas considero válido, o ingresso na academia, MAS NÃO É O ÚNICO CAMINHO, SOU PROVA VIA DISSO ASSIM COMO OS EDITAIS NÃO SÃO O ÚNICO CAMINHO, que hoje inclusive a maioria, é acadêmico, até eu mesmo depois de iniciar este processo de ser Quebradeiro, já “velhinho” resolvi arriscar na academia, já fui, em 2012 até 2013, cursando Sistemas de informação na Universidade da Cidade do Rio de Janeiro, algo que galguei com muito esforço, que quando comecei era de manhã na Carioca e passou para a noite em Ipanema, dificultando um pouco para mim. Mas ainda me atrai a proposta de conseguir uma bolsa para belas artes, por exemplo, que tem muito mais haver comigo, quando descobri em 2000, quando sendo diretor de arte numa agência de publicidade em SC, (por onde trabalhei por 3 anos, entrando como arte finalista e saindo como tal) redescobri meu amor pelas artes.
    RESISTÊNCIA É BOM E NECESSÁRIO… VIDA LONGAS AOS RESISTENTES, A RESISTÊNCIA, À ANARQUIA E AOS CORAJOSOS!!! ABAIXO AOS BUNDÕES DE PLANTÃO QUE QUEREM DAR VALIA OU LEGITIMAÇÃO OU MUITO CONTEÚDO A ALGO TÃO FRÍVOLO E POR ISSO GRANDIOSO COMO É – A ARTE ESPONTÂNEA.

    Respondendo À Provocação se VC FAZ CULTURA?
    atenção perigo a vista!!! cultura estatal é falsa e não é ‘COOL’ TURA é CONTROLE. eu faço cultura livre com meu corpo minha fala que também sai do corpo corporificando a razão e a emoção. cultura umbilical da kundaline mais cool mais cú e menos carão. viva a contracultura do povo da periferia de dentro pra fora e não de fora pra dentro. abaixo o fascismo que quer ditar um molde pra tudo. não existe estilo periférico!!! abaixo aos moldes e as ongs que querem faturar em cima de uma marca, periferia é funk mas também pode ser clássico, é reggae, preto branco, azul e arco-íris é favela e é zona sul. o olhar criativo do artista que é mob e pode circular à vontade da favela à cidade. quando as oportunidades forem iguais se verá o que já disse Caetano Veloso: “gente é pra brilhar e não pra morrer de fome”, os UQuebradeiros do rio de janeiro já estão brilhando FAZENDO E ACONTECENDO CULTURA!!! http://tedipassaro.blogspot.com.br/2012_10_01_archive.html#2193819980744246843

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  3. Marcio Rufino
    Marcio Rufino 22 de novembro de 2013 at 22:27 |

    19 de novembro de 2013. Vejo o dia amanhecer por dentro do meu quarto. Apesar de não dormir, continuo deitado na cama. Me perdendo em sonhos eróticos, talvez. as nove me levanto e vou para o banho. A solidão me permite tomar banho nú na varanda da minha casa sem precisar me preocupar em ser visto. Vejo se o crachá do MAR está na minha mochila. Me perco em minutos, procurando o caderno da UQ. Encontro e xingo um palavrão. Tudo ok e parto para mais uma jornada quebradeira. O dia está calorosamente lindo. Chego no metrô; mais uma vez o joelho calabresa e o refresco de uva para me servir de café da manhã.

    Como na velocidade do pensamento, em alguns instantes já estou no MAR. O espírito de Abdias Nascimento suscita e promove diversas ações e reações como se a manhã fosse uma explosão de surpresas e encantamentos. Francisca maravilhada com o avanço da tecnologia do quadro branco que reproduz em papel tudo que se desenha ou escreve; eu perdendo meu medo do orixá Exu e soltando a voz ao ler seu padê, composto por Abdias; Jéssica dança, rodopia, salta, representa. Serelepe pluma do ébano solta no vento exalando o cheiro do orgulho e da alegria que todos nós deveríamos ter de sermos negros; Ludi exaltando sua fé iorubá.

    Heloísa, Numa e Ângela se reúnem com os quebradeiros para juntos analisarmos o semestre. O que se conseguiu? O que se criou? O que se trocou? O que se avançou? Muitas visões. Muuitos diálogos, mais nenhum consenso.

    Monique Andries Nogueira nos dá dicas de como se criar um projeto. O artista em sua criação tem que ser também empreendedor. Ai que dor! Tiro dúvidas sobre meu artigo falando da vida e obra do teatrólogo Ilecy Ramos Filho.

    Na noite iluminada pelo sol da tarde, o Sarauvá ressuscita. Eu, Ludi, Heraldo, Ruth, Denise, Clarice, Wellington, Tetsuo, Jéssica, entre outros quebradeiros verborragizamos o calçadão da praça do Cais do Valongo sob a benção dos orixás na véspera do dia da consciência negra. Valeu a pena o puxão de orelha da Numa, da Helô e da Ângela.

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  4. José Orlando
    José Orlando 22 de novembro de 2013 at 17:54 |

    Infelizmente não estive presente nessa aula, porque tive que tomar soro antirrábico no Hospital Sousa Aguiar (fui mordido por um cachorro) e isso me tomou a tarde inteira.
    Mas nesse fim de semana vou ler todos os links e textos referentes ao assunto com atenção.
    Abraços e até a próxima terça!

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  5. Celeste Conceicao
    Celeste Conceicao 22 de novembro de 2013 at 8:18 |

    Se algum dia na minha área eu precisar já tenho onde recorrer,pra gente que não esta acostumada a mexer c isso, parece complicado,mas não impossível.

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  6. Silvia Soter
    Silvia Soter 21 de novembro de 2013 at 21:32 |

    Este é o site para consulta dos periódicos.
    http://www.periodicos.capes.gov.br/

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  7. Marianna de Luna
    Marianna de Luna 21 de novembro de 2013 at 15:07 |

    Pro artigo tem uns sites legais pra consultar outros trabalhos acadêmicos, o portal da capes que está post e o Scielo, tem o conteúdo várias revistas esse de publicação.
    http://www.scielo.org

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  8. Karen Kristien
    Karen Kristien 21 de novembro de 2013 at 12:38 |

    Essa aula foi muito importante para esclarecer e nos orientar a respeito do trabalho final e das possibilidades de utilização deste trabalho em diferentes frentes. Senti uma certa frustração pois alguns alunos entenderam a proposta de trabalho de formas diferentes destas. Mas creio que se o interesse dos alunos for combinado com o acompanhamento dos professores teremos ótimas produções nesta turma. Mãos à obra!

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