23 comentários

  1. Martha Alkimin
    Martha Alkimin 29 de agosto de 2013 at 13:10 |

    Alô, Quebradeiros!
    Ainda tô me recuperando de tanta alegria que vocês me deram nessa 1a. aula da U.Q!
    Uma honra viver com vcs aquele encontro.

    Por tudo o que aprendi, de delicado e contundente, por todos os sorrisos, por toda poesia compartilhada e sobretudo pelo acolhimento quebradeiro, muito, muito obrigada.

    Desejo a vocês todos muitas viagens e que cada um descubra a sua Ítaca, o seu terreiro, a sua linguagem!

    Meu abraço,
    Martha Alkimin

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  2. Luiz Fernando Pinto
    Luiz Fernando Pinto 29 de agosto de 2013 at 9:16 |

    Que viagem hein, Homero!

    Menina Quebrada
    Narrada, inteira
    De chinelo no pé
    Mulher brasileira!

    Menina do olhar faceiro
    Da pele marcada
    Cicatriz de Ulisses?
    Caminhada da história
    Africana ou Medeia?
    Oral e escrita
    Menina viagem perdida…

    Solta os cabelos
    Ouvindo histórias
    Suspiro, esperança
    Nessa arte das antigas parteiras.

    Tradição oral, vivencias
    Por vezes torrencial
    No ser representativo
    És a mulher, no todo, um elemento cabalístico!

    Essa vai para a menina Janaina, a juventude feminina nas Quebradas!

    Reply
  3. José Orlando
    José Orlando 29 de agosto de 2013 at 2:03 |

    Um dia um mulato franzino que escrevia poesia e que morava nas Antilhas, precisamente em Santa Lucia (pequena ilha no mar das Caraíbas) cismou de escrever uma Epopéia.E criou.O nome do livro é ”Omeros”, seu nome é Derek Walcott e o menino,danado, com seu feijão com arroz, ganhou o Prêmio Nobel em 1982!!! Epopéias sem fronteiras,do ofício à saideira, da oralidade à quebradeira, hístórias em circunavegação.

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  4. José Orlando
    José Orlando 29 de agosto de 2013 at 1:34 |

    Pelas quebradas saiu Ulisses a enfrentar tormentas,perigos, mistérios do vasto mundo e segredos do caminho. O viajante reconstrói-se com o itinerário, se refaz, se reanima, se reafirma como ser humano e segue adiante. Assim como Ulisses, nós fazemos a viagem geográfica,física e partimos para uma jornada interior que nem mesmo esperamos, mas o caminho de nosso próprio descobrimento sempre nos aguarda, fator esse que ilimitado em suas faces e nuances só se completa se almagamando com o Outro,com a proximidade, com o contato.Ulisses sai da Periférica Ítaca, aporta na majestosa e sofisticada Tróia para voltar para os braços de Ítaca.Quebradeira,quebradas,quebrantos.Ulisses na epopéia é o ser a procura de sua origem, é o filho pródigo,o viajante a procura de si mesmo.Viagem feita de ida e volta, de retorno, de criação de nova linguagem, novo vestuário para as palavras.Com a poesia de Odisséia, Homero apreende a oralidade e a compactua com a História dos homens de carne e osso e assim como em outras Epópeias ( Mahabharata, Ramayana, Beoulf , Lusíadas )percorre trajetos e territórios de intensa humanidade A estrada da cultura, da arte , da educação está no âmago da viagem,ousamos percorrê-la ?

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  5. Rogéria Reis
    Rogéria Reis 29 de agosto de 2013 at 1:33 |

    A aula foi interessantíssima. Classe lotada. Quase não encontrei lugar para me acomodar.
    Como havia verificado a pré-aula, consegui participar e até arriscar uma fala.
    Nos dispomos em um grande círculo e o microfone rodou na mão dos Quebradeiros, o que tornou o encontro bem dinâmico e rico.
    Aí quebrou geral.
    As reflexões giraram em torno da aceitação da mitologia grega e da dificuldade de aceitação da mitologia africana.
    Discutimos sobre a questão das narrativas gregas registradas escritas e da oralidade das narrativas africanas.
    Tudo isso para entender o percurso que a escrita percorreu desde Homero até a tecla do computador.
    A necessidade de uma narrativa seja visual ou de uma literatura registrada nos detalhes e com detalhes observados do cotidiano, foi pensada a partir do vídeo sugerido pela UQ que demonstra pinturas rupestres em cavernas.
    Foi quando compartilhei com os amigos a minha experiência com a literatura do Manoel de Barros, que foi um escritor que me abriu um leque de possibilidades ao me revelar que posso escrever sobre coisas simples do meu dia a dia.
    Houve reflexões sobre a questão da mulher na escrita e as falas foram à respeito das dificuldades das mesmas no registro das suas narrativas.
    Um amigo questionou se havia homofobia na Grécia antiga e fiquei pensando que desconheço relatos históricos que relatem conflitos nesse sentido entre os gregos.
    Foram estabelecidas relações das figuras mitológicas gregas com as figuras mitológicas africanas.
    Reflexões sobre a importância da construção de uma identidade também foi temática abordada.
    Uma identidade que fosse além da grupal, local, alcançando algo mais amplo, como por exemplo, uma nova identidade brasileira, afastando-se do esteriótipo de que brasileiro vive sempre feliz e sorrindo.
    Uma jovem nesse momento colocou que considera importante resgatar a cultura africana mas que no momento não se identifica tanto com a mesma por ter nascido no Brasil e não na África e pensa que uma cultura para existir não precisa aniquilar a outra e que não se sente constrangida de conhecer uma cultura diversa da sua.
    Com relação à aceitação da mitologia africana fiquei pensando na questão da transmissão oral da cultura africana e estabeleci um paralelo com imaginário popular construído sob influência da igreja cristã e sob a égide do eurocentrismo, hegemônicos por longo tempo no percurso da nossa história.
    Há muito trabalho pela frente no sentido de se desconstruir esse imaginário em busca de uma representação literária e visual que se aproxime mais do real da cultura e religião de matriz africana.
    A narrativa oral, escrita e a arte visual usadas como elementos úteis à transformação desse imaginário.
    Um grifo meu seria que a arte popular produzida retrata os orixás de modo distorcido e distorcidas foram as narrativas orais e escritas que descrevem as figuras míticas das religiões de matriz africana, no Brasil. Foram acrescentados elementos que remetem ao mal, ao inferno, (este último, um conceito introduzido por Dante Alighieri, cuja obra ” O Inferno De Dante”, traz nítida influência da igreja cristã).
    Esses elementos que expressam o imaginário popular e o reforçam, não exerceriam influências na questão da “demonização” e da consequente “não aceitação” das religiões de matriz africana?
    Não sou catedrática no assunto. São observações que faço do cotidiano e olocubrações minhas…

    Reply
  6. Leda Lessa
    Leda Lessa 28 de agosto de 2013 at 23:37 |

    A professora Martha é unma contadora de História.È preciso estar envolvida e vibrante pra dar aula nas Quebradas.Ela estrav e me envolveu .Quase não respirei durante a aula.Os quebradeiros trouxeram a Odisseia para a periferia e viajamos juntos.

    Reply
  7. Jandir Jr.
    Jandir Jr. 28 de agosto de 2013 at 22:13 |

    Linda fala de Martha Alkimin, dessa literatura, “herança frágil” (o que me faz pensar em qual herança não seria frágil, ou ainda o que faz a literatura tão frágil a ponto desta afirmação), tão próxima e tão distante de todos nós… Qual seria a percepção de proximidade e distância para um viajante?
    O instigante comentário de Rute Casoy me fez relembrar um texto lido a pouco por mim, de Stella Penido, a respeito da história como construção e alegoria em Benjamin. Segue para quem se interessar.

    http://www.oquenosfazpensar.com/adm/uploads/artigo/walter_benjamin:_a_historia_como_construcao_e_alegoria/n1stella_Walter_Benjamin.pdf

    Beijos!

    Reply
  8. Fabio Augusto
    Fabio Augusto 28 de agosto de 2013 at 21:55 |

    Li textos e reflexões interessantes na rede e fiz um apanhado de idéias sobre esse tema que achei bem bacana…As referências utilizadas por Chico e Boal tem muito do que falamos em aula
    .

    Reply
  9. Fabio Augusto
    Fabio Augusto 28 de agosto de 2013 at 21:36 |

    Dei uma parada pra estudar um pouco o que foi dito e me veio esse tema em mente.
    “Mulheres de Atenas” faz referência a aspectos da sociedade ateniense do período clássico e a alguns episódios e personagens da mitologia grega. A letra faz uma alusão aos famosos poemas épicos Ilíada e Odisséia, ambos atribuídos a Homero. Penélope, mulher de Ulisses, herói do poema Odisséia, viu seu marido ficar longe de casa por vinte anos, período em que ela se porta com dignidade e absoluta fidelidade; mas, por um lado, sua formosura, e, por outro, os bens familiares atraem a cobiça de pretendentes, que julgavam seu marido morto. Ela lhes dizia que só escolheria o futuro marido após tecer uma mortalha, que, a bem da verdade, não fazia questão de terminar: passava o dia tecendo e, à noite às escondidas, desmanchava o trabalho realizado. E enquanto seu marido se mantinha ausente, embora por tanto tempo sem notícia, ela se vestia de longo, tecia longos bordados, ajoelhava-se, pedia e implorava para a deusa Atena que providenciasse o retorno de seu amado.Já Helena era considerada a mulher mais bela do mundo. Sua história é uma das mais conhecidas na mitologia grega. Esposa de Menelau, rei de Esparta, foi seduzida e raptada por Páris, filho do rei de Tróia. Esse rapto deu origem à guerra de Tróia, que os gregos promoveram para resgatar Helena; fato narrado em Ilíada de Homero. Embora Ulisses não figurasse no primeiro plano da Ilíada, nela é freqüentemente mencionado, como um viajante conduzido à terras distantes e herói da batalha de tróia. Por essa escolha Homero, o poeta, relaciona as duas epopéias. A esposa de Ulisses, a prudente Penélope, opõe-se à esposa infiel – Helena, que na Ilíada é causa inicial da guerra. Por essas e outras razões a Odisséia está intimamente ligada à Ilíada.
    Assim, como uma referência histórica de um momento da humanidade que data de 5 séculos antes de Cristo, os autores de “Mulheres de Atenas” (Chico Buarque e Augusto Boal )valem-se da ideologia de Odisséia para chamar a atenção das mulheres que ainda “vivem” e “secam” por seus maridos ao estilo ateniense. .”
    Retomando a análise, diremos ainda que a expressão “Mirem-se…” é ambígua. Ela parece indicar duas direções opostas para o comportamento da mulher: ela deve seguir o comportamento das mulheres atenienses/ ela não deve seguir o comportamento delas. No Brasil de hoje, muitas mulheres têm o mesmo comportamento dessas mulheres, sobretudo entre os de baixa renda. Numerosos sambas tratam dessa submissão da mulher e do comportamento machista dos homens brasileiros. As mulheres se enfeitam para seus maridos, mas apanham deles e assim mesmo pedem perdão (2a estrofe). São fiéis , enquanto o “malandro”sai de casa e se diverte com mulheres (6a estrofe). O homem quase sempre volta(6a estrofe) “aos pedaços” . Os autores, nessa estrofe, fazem um cruzamento entre Penélope e Helena. Helena foi a que traiu seu homem, Penélope ficou em casa. No entanto, aqui quem ficou foi Helena. Isso quer dizer que toda mulher, tanto Helenas quanto Penélopes são tratadas da mesma forma : “Elas não têm gosto ou vontade, nem defeito, nem qualidade”., diz a última estrofe. Não se valoriza a mulher, submete-se a mulher a humilhações, relegando-a a um papel secundário na sociedade.
    Essa situação a cada dia se modifica com o crescimento do poder feminino,no melhor dos sentidos.

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  10. Marcio Rufino
    Marcio Rufino 28 de agosto de 2013 at 21:08 |

    Pinturas rupestres numa caverna da França, ópera japonesa de Édipo Rei, o homem de la mancha no original, Bibi Ferreira interpretando Joana (nossa Medéia tupiniquim) em Gora D’água – sua interpretação do monólogo veneno quase me fez sair correndo de pavor. Meu Deus é muito caldo cultural pra um só dia.

    Reply
  11. rute casoy
    rute casoy 28 de agosto de 2013 at 18:32 |

    Meu nome é Rute Casoy sou contadora de histórias muito interessada em Mitologia Indígena.

    Vou mandar aqui pensamentos que vieram ao meu espírito durante a brilhante aula da professora Martha Alkimin não menos brilhantememte arrematada pelos quebradeiros.

    Chegando em casa fui correndo reler meu amigo o indígena, escritor premiadíssimo e doutor Daniel Munduruku, seu artigo sobre a literatura indígena.

    Se a escrita protege do esquecimento.

    Fui pensar.

    Lembrei do Sotigui Kouayté, meu amigo, griot de casta, ícone da oralidade africana, de Burkina Faso, ator e muito mais que um mestre, um ser fascinante e carismático. Presença Forte cunhada na sabedoria da oralidade.

    Lembrei do Sotigui contando que na sua aldeia logo na chegada havia uma estátua para o viajante, que o viajante lá era a pesssoa mais importante.

    Que quando chegava era recebido com alimento e depois do descanso às vezes de alguns dias, começava seu relato tão ansiosamente esperado por todos.

    E o relato era longo!

    Entendo que estas pessoas enraizadas nos seus contextos sintam fome de histórias.

    Do refresco das palavras voadoras.

    Padecemos sem raiz. Falta de contexto, de terra, da aldeia pra chamar de minha.

    Walter Benjamin no seu famoso texto o Narrador também fala destas histórias que vinham de longe. Longe em distância, longe no tempo.

    Este longe, esta distância tinha poder regenerador.

    Lembrei do A. Hambate Ba, A Tradição Viva. Tem que ler.

    O Daniel fala em ancestralidade, memória ancestral, saber ancestral.

    O princípio, ativo revitalizador, cicatrizante, que aparece como remédio toda vez que a restauração é solicitada nos casos de ferimento, doença, conflito, rompimentos, sofrimentos, prejuízos em geral.

    Por comparação o saber moderno de informação feito, nos traz acontecimentos recentes pelo jornal, pela mídia televisão internet, a informação veloz que acabou com os tempos/ lugares remotos. Acabou com o longe, o atemporal, o era uma vez.

    Tempo sem tempo. Tempo suspenso. Que nos faz lembrar do princípio do qual as coisas são feitas e restitui nossas identidades.

    Raiz. Ritual. Religare.

    O Budismo fala do passado remoto, do tempo sem começo nem fim, da origem sem origem como dimensões restauradoras.

    O Kaká Werá outro índio militante, nosso amigo, nos ensina a cura pela dança, pelas ervas medicinais e pelas histórias.

    Todo mundo numa certa medida sabe do poder restaurador das narrativas. O longe impregnando o perto.

    Os mitos, os contos de fada tem função terapêutica alvo para nossas projeções. Nossos conflitos, nossas angústias, paralisias. Pelo mito somos alçados.

    Catarse.

    Na África, na Grécia, no Amazonas, em Israel, na Palestina, em qualquer lugar onde tem gente a mitologia aparece com essa função de fazer sabedoria.

    Fico pensando como seria interessante a vida antes do medo do esquecimento, uma vida permeável, desprotegida, com o canal francamente aberto para outras dimensões. Que as lembranças adormecidas acordassem, viessem sempre que chamadas. Sempre que solicitadas. Garantidas por tantos Homeros hoje perdidos na multidão.

    Uma vida em que todos igualmente tivessem acesso direto as suas eloqüencias. Que todos sempre lembrassem de si mesmos sem medo. Passado, futuro em convivência com as presenças e suas forças.

    Como citou a nossa professora do inspirado doc de Werner Herzog, o arqueólogo que sugere o homo espiritual no lugar do homo sapiens.

    Diria homo médium,

    Aposto no saber mediúnico, do saber iniciático, do saber em transe, do nervo pulsante da memória ativa, de certa forma mutilado pela nossa cultura grafocêntrica com mania de salvar, de armazenar, de encher.

    Não adianta, como dizia o nosso querido Ministro da Cultura, mistério sempre há de pintar por aí.

    Reply
  12. Felipe Luiz da Silva
    Felipe Luiz da Silva 28 de agosto de 2013 at 13:57 |

    A Grécia e suas narrativas, os quebradeiros e suas resignificações! As contribuições da turma foram um diferencial.

    Sobre o Herzog, no colóquio internacional Rancière no IFCS, o Daniel Álvaro, em seu trabalho, defende que o filme é um “filme-arte”.

    Baixei os textos daqui! Obrigado!!

    Reply
  13. Denise Lima
    Denise Lima 28 de agosto de 2013 at 13:45 |

    Queremos narrativas, queremos terreno, queremos identidade. Somos todos quereres e desejos: reprimidos, excluídos, potentes e fragrantes. Encontro cheiro de gente, flor, raiz, passado e MAR – onde viagens inesquecíveis são provocadas, planejadas, subvertidas! Quem se importa se meu repertório não dá conta de tanta estrada, de tanta vereda? Na viagem, sempre tem aquele que divide o cajado…

    Reply
  14. Tatiana Clemente
    Tatiana Clemente 28 de agosto de 2013 at 12:25 |

    Me surpreendeu a pureza de sensações e emoções que a Martha transmitiu junto com uma carga poética incrível, que aliás mesmo sendo leigo no assunto, é irresistível né?
    O fato de não ter lido a pré-aula, desconhecer sobre a narrativa e ter assimilado tudo superficialmente…assim na ‘lata’ de ‘cara’…foi bom porque fomentou a vontade de querer saber mais..uma avaliação superficial, mas que trouxe emoção e magia. Sem sombra de dúvida!
    Aliás, fiquei sabendo que a “Odisseia de Homero” foi o modelo que determinou o padrão pra toda a ficção narrativa da Sociedade Ocidental, isso é verdade?

    Reply
  15. Tatiana Clemente
    Tatiana Clemente 28 de agosto de 2013 at 11:58 |

    Gostei bastante do personagem Ulisses, mas gostei também do imaginário deste universo que me pareceu tão real. Os humanos, os Deuses, a interferência dos Deuses na vida deles, e depois, além da Epopéia em si, não conhecia, mas depois das reflexões da Martha, achei imprescendível a quem queira ter uma viajdm

    Reply
  16. Tássia di Carvalho
    Tássia di Carvalho 28 de agosto de 2013 at 11:41 |

    O encontro foi incrível, honestamente. Não consegui entender nem metade do que foi dito, mas a metade que ficou marcada em mim, me faz refletir até agora. Além de dar uma vontade danada de retomar raízes, de saber mais sobre o negro, sobre essa literatura africana que descobri ser rica e eu pobre de conhecimento desconhecia completamente…

    Reply
  17. angela carneiro
    angela carneiro 28 de agosto de 2013 at 10:42 |

    “Tudo estava meio confuso até o momento que nossa inquietação falou mais alto e com a participação popular a dinâmica e a direção da aula mudou pra melhor,se aproximando da nossa realidade.”
    Isso aí Fábio, esse é o nosso desafio, criar um campo entre nós para imaginarmos e inventarmos outras realidades.
    Como?
    Buscando, conversando, trocando, experimentando, trazendo os desassossegos para partilha, fazendo juntos.
    Seguindo.

    Reply
  18. Marcio Rufino
    Marcio Rufino 28 de agosto de 2013 at 0:40 |

    Mnemósine Periférica

    O dia estava nublado. No meio do caminho para o ponto de ônibus, o esquecimento do guarda-chuva e o pânico com a possibilidade de chuva me assaltam; mas a preguiça em voltar para casa buscar o objeto-portátil me vence. Preferi correr o risco de chegar no MAR ensopado. A possibilidade de pegar uma chuva quando desembarcasse do metrô era grande. Peguei o ônibus até a Pavuna. Na Pavuna peguei o metrô até a Uruguaiana. Não podia chegar mais atrasado à primeira aula da UQ do que eu já sabia que ia chegar.

    Qual não foi minha felicidade quando chego na Uruguaiana e sinto algumas timidíssimas gotículas de chuvisco que não me incomodam em nada. Chego no MAR. O rapaz me indica a sala da palestra. Subo no elevador e quando entro na sala sou recebido com um belo e generoso sorriso nordestinamente brejeiro de Numa Ciro e distribuo fanzines do coletivo Pó de Poesia do qual participo. Depois de um cafezinho e alguns biscoitinhos, a sala repleta de pessoas de todas as partes do Rio de Janeiro recebe as primeiras palavras de Martha Alkimin que nos convida a fazer uma viagem. Uma viagem ao mundo de Homero, da Ilíada, da Odisséia, de Tróia, da mitologia grega.

    Em pouco tempo nos vimos imbuídos das impressões de palestrante sobre a musa da memória Mnemósine. De sua importância, não só na cultura helênica como em nossas próprias vidas. Na forma envolvente como ela é exposta nas obras de Homero.

    A diversidade esteve presente no debate. Um quebradeiro nos trouxe Penteu e sua ligação com a atual política nacional. Lembro que em As Bacantes, Penteu é destruído por Dionísio. Então liguei Dionísio a periferia que traz o novo. A mitologia africana aos poucos foi tomando o centro da conversa, depois que outro quebradeiro falou da analogia de Dionísio com Exu. Muitos quebradeiros que tinham dificuldade em entender a mitologia grega se expressaram e falaram de suas identificações com a cultura afro e suas insatisfações em conseguir fontes mais profundas sobre a mesma.

    Depois do lanche eu e os amigos quebradeiros Heraldo HB e Janaína Tavares andamos pela Av Rio Branco discutindo a crônica da morte de Mineirinho de Clarice Lispector. Alguns instantes depois estávamos falando sobre a necessidade as várias linguagens e grupos culturais; tudo isso regado a muita cerveja na Senador Dantas. Um grupo cultural não sobrevive sozinho; senão se alimentando de outros grupos culturais. Viver culturalmente, além de produzir, é trocar. Quem sabe não criamos uma mitologia gregafricana?!

    Reply
  19. Marcio Rufino
    Marcio Rufino 28 de agosto de 2013 at 0:40 |

    Mnemósine Periférica

    O dia estava nublado. No meio do caminho para o ponto de ônibus, o esquecimento do guarda-chuva e o pânico com a possibilidade de chuva me assaltam; mas a preguiça em voltar para casa buscar o objeto-portátil me vence. Preferi correr o risco de chegar no MAR ensopado. A possibilidade de pegar uma chuva quando desembarcasse do metrô era grande. Peguei o ônibus até a Pavuna. Na Pavuna peguei o metrô até a Uruguaiana. Não podia chegar mais atrasado à primeira aula da UQ do que eu já sabia que ia chegar.

    Qual não foi minha felicidade quando chego na Uruguaiana e sinto algumas timidíssimas gotículas de chuvisco que não me incomodam em nada. Chego no MAR. O rapaz me indica a sala da palestra. Subo no elevador e quando entro na sala sou recebido com um belo e generoso sorriso nordestinamente brejeiro de Numa Ciro e distribuo fanzines do coletivo Pó de Poesia do qual participo. Depois de um cafezinho e alguns biscoitinhos, a sala repleta de pessoas de todas as partes do Rio de Janeiro recebe as primeiras palavras de Martha Alkimin que nos convida a fazer uma viagem. Uma viagem ao mundo de Homero, da Ilíada, da Odisséia, de Tróia, da mitologia grega.

    Em pouco tempo nos vimos imbuídos das impressões de palestrante sobre a musa da memória Mnemósine. De sua importância, não só na cultura helênica como em nossas próprias vidas. Na forma envolvente como ela é exposta nas obras de Homero.

    A diversidade esteve presente no debate. Um quebradeiro nos trouxe Penteu e sua ligação com a atual política nacional. Lembro que em As Bacantes, Penteu é destruído por Dionísio. Então liguei Dionísio a periferia que traz o novo. A mitologia africana aos poucos foi tomando o centro da conversa, depois que outro quebradeiro falou da analogia de Dionísio com Exu. Muitos quebradeiros que tinham dificuldade em entender a mitologia grega se expressaram e falaram de suas identificações com a cultura afro e suas insatisfações em conseguir fontes mais profundas sobre a mesma.

    Depois do lanche eu e os amigos quebradeiros Heraldo HB e Janaína Tavares andamos pela Av Rio Branco discutindo a crônica da morte de Mineirinho de Clarice Lispector. Alguns instantes depois estávamos falando sobre a necessidade as várias linguagens e grupos culturais; tudo isso regado a muita cerveja na Senador Dantas. Um grupo cultural não sobrevive sozinho; senão se alimentando de outros grupos culturais. Viver culturalmente, além de produzir, é trocar. Quem sabe não criamos uma mitologia gregafricana?!

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  20. Marcio Rufino
    Marcio Rufino 28 de agosto de 2013 at 0:38 |

    Mnemósine Periférica

    O dia estava nublado. No meio do caminho para o ponto de ônibus, o esquecimento do guarda-chuva e o pânico com a possibilidade de chuva me assaltam; mas a preguiça em voltar para casa buscar o objeto-portátil me vence. Preferi correr o risco de chegar no MAR ensopado. A possibilidade de pegar uma chuva quando desembarcasse do metrô era grande. Peguei o ônibus até a Pavuna. Na Pavuna peguei o metrô até a Uruguaiana. Não podia chegar mais atrasado à primeira aula da UQ do que eu já sabia que ia chegar.

    Qual não foi minha felicidade quando chego na Uruguaiana e sinto algumas timidíssimas gotículas de chuvisco que não me incomodam em nada. Chego no MAR. O rapaz me indica a sala da palestra. Subo no elevador e quando entro na sala sou recebido com um belo e generoso sorriso nordestinamente brejeiro de Numa Ciro e distribuo fanzines do coletivo Pó de Poesia do qual participo. Depois de um cafezinho e alguns biscoitinhos, a sala repleta de pessoas de todas as partes do Rio de Janeiro recebe as primeiras palavras de Martha Alkimin que nos convida a fazer uma viagem. Uma viagem ao mundo de Homero, da Ilíada, da Odisséia, de Tróia, da mitologia grega.

    Em pouco tempo nos vimos imbuídos das impressões de palestrante sobre a musa da memória Mnemósine. De sua importância, não só na cultura helênica como em nossas próprias vidas. Na forma envolvente como ela é exposta nas obras de Homero.

    A diversidade esteve presente no debate. Um quebradeiro nos trouxe Penteu e sua ligação com a atual política nacional. Lembro que em As Bacantes, Penteu é destruído por Dionísio. Então liguei Dionísio a periferia que traz o novo. A mitologia africana aos poucos foi tomando o centro da conversa, depois que outro quebradeiro falou da analogia de Dionísio com Exu. Muitos quebradeiros que tinham dificuldade em entender a mitologia grega se expressaram e falaram de suas identificações com a cultura afro e suas insatisfações em conseguir fontes mais profundas sobre a mesma.

    Depois do lanche eu e os amigos quebradeiros Heraldo HB e Janaína Tavares andamos pela Av Rio Branco discutindo a crônica da morte de Mineirinho de Clarice Lispector. Alguns instantes depois estávamos falando sobre a necessidade as várias linguagens e grupos culturais; tudo isso regado a muita cerveja na Senador Dantas. Um grupo cultural não sobrevive sozinho; senão se alimentando de outros grupos culturais. Viver culturalmente, além de produzir, é trocar. Quem sabe não criamos uma mitologia ?!

    Reply
  21. Fabio Augusto
    Fabio Augusto 27 de agosto de 2013 at 22:43 |

    Herzog é clássico,Homero então é demais… O assunto é interessante,mas como estamos em um ambiente diferenciado,achei que a aula foi um pouco distante dos quebradeiros,essa fusão da Comunidade com a Academia deveria estar presente também na maneira como o tema vai ser apresentado.Tudo estava meio confuso até o momento que nossa inquietação falou mais alto e com a participação popular a dinâmica e a direção da aula mudou pra melhor,se aproximando da nossa realidade.
    É notável a paixão que a Martha Alkimin dá ao tema e seu conhecimento é engrandecedor.

    Reply
  22. Luiz Fernando Pinto
    Luiz Fernando Pinto 27 de agosto de 2013 at 10:35 |

    Inspirador o documentário!

    Reply
  23. Claudina Oliveira
    Claudina Oliveira 26 de agosto de 2013 at 10:53 |

    Longa viagem… Uma odisséia…?

    Reply

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