Gonçalo M. Tavares, por Madalena Vaz Pinto

A aula da Professora Madalena sobre Gonçalo M. Tavares foi visceral. A literatura de Gonçalo Tavares afeta o leitor sem devaneios: é direta, violenta. A aula não foi explicativa, foi sobre as ideias que encontramos na literatura. Avaliar a qualidade do autor também não foi uma questão: Dizer se um autor é bom ou não, é difícil e depende de quem lê.

Ao apresentar Gonçalo Tavares, Madalena expôs os principais temas presentes em sua obra: a dicotomia/loucura; a relação de domínio de pais sobre filhos; a oposição entre mente e corpo, comum na sociedade ocidental e a maldade humana.

Alguns desses temas são derivados do fato de Gonçalo se declarar como um escritor pós- Auschwitz. Theodor Adorno, filósofo alemão, foi um dos primeiros a questionar: Como é possível escrever poesia depois de Auschwitz?

Gonçalo,  diz que escreve para:

  1. Investigar
  2. Desfamiliarizar, buscando maneiras novas de dizer
  3. Reparar, parando duas vezes para observar
  4. Sentir, ou seja, intensificar

Ensinar literatura é ensinar que ler é reler. Não há uma interpretação única do texto. Não há a forma hermenêutica, um sentido único. A linguagem deve por uma pedra no meio do caminho. Isso exige muito dos leitores, mas com paciência iremos encontrar uma preciosidade finalmente. Como em Proust, por exemplo.

É preciso lembrar, também, que a linguagem é uma convenção, e que existem novas e diversificadas maneiras de falar as coisas. A relação do autor com aquilo que escreve, é mais importante do que a sua assinatura. O autor tem que se ausentar do seu texto.

Segundo Gonçalo, a função de escritor é instalar desconforto, dúvida e não dar a mensagem direta. E ele ainda diz:  Ninguém faz algo de novo a partir do zero.

 

Bárbara Reis – Bolsista Pibex PACC/UFRJ

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