O Museu que queremos, pós aula

No encontro da ultima terça tivemos uma conversa sobre o “O Museu que queremos”,  com a participação de 4 convidados especiais, a gerente de educação do MAR – Museu e Arte do Rio e Escola do Olhar Janaina Melo , Junior Perim do Circo Crescer e Viver, o mestre quebradeiro Pablo Ramoz e o quebradeiro Darlan Bastista.

O ativista e intelectual Junior Perim, se  expressou  sobre a importância de um museu para a cidade, através da perspectiva de um frequentador.  Ressaltou que o fato da Universidade das Quebradas estar situada no espaço físico de um museu é de grande importância, pois desta maneira o  muro simbólico existente  ao redor desse espaço é ultrapassado, possibilitando e estimulando a inserção de um novo público para o museu. Para ele, o papel do museu é de construção de ideias e de um imaginário para sociedade.

O quebradeiro e funcionário do MAR, Darlan Batista, refletiu sobre uma maneira de transformar o museu em um atrativo turístico da cidade. Ele falou sobre a visão de grande parte da população em relação a um museu, que é visto como um lugar de coisas velhas. Para que isso seja desmistificado é necessário que haja um diálogo mais direto entre os museus e as escolas, contribuindo na formação de cidadãos.

O produtor cultural Pablo Ramoz, que trabalha com museologia social, traçou um paralelo entre a museologia  clássica e museologia comunitária.  O Museu tradicional, que ele chamou de Museu templo, se preocupa com um edifício, com montar e preservar coleções, visitações e acessibilidade. O Eco Museu, ou museu comunitário, se ocupa do território, da comunidade, e em construir um inventário participativo. Para ele, não existe desenvolvimento local sem a preocupação com a comunidade ao redor. Pablo  sugeriu uma participação de lideranças locais no conselho curatorial do MAR.

Pablo nomeou alguns ecomuseus e museus comunitários em funcionamento no Rio de Janeiro:

Ecomuseu de Santa Cruz – Santa Cruz
Museu Comunitário do Horto Florestal- Jardim Botânico
Museu de Favela – Complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo
Museu da Maré – Maré
Museu Vivo de São Bento – Caxias
Ecomuseu Nega Vilma – Santa Marta
A responsável pelo educativo do MAR, Janaina Melo, nos contou sobre suas experiências pessoais e profissionais. Relatou como de estudante de história na UFMG ela foi sendo conquistada pelo poder da arte de reconfigurar a experiência que podemos ter da cidade, da sociedade e da  vida. Janaína afirmou que este espaço, o MAR, é nosso e ele será o que a gente quiser que ele seja.

Após a aula os quebradeiros percorreram a exposição Pernambuco Experimental, que traça um panorama da arte no estado nordestino no século XX, com curadoria de Clarissa Diniz e Paulo Herkenhoff a exposição conta com pinturas, esculturas, fotografias, vídeos, musicas, performances e documentos do período, que mostram a importância artística e cultural do estado.

Durante a exposição aconteceu um bate papo com três dos artistas que fazem parte da mostra  Pernambuco Experimental:  Paulo Bruscky, Daniel Santiago e Silvio Hansen o debate contou com a participação dos quebradeiros Nuno DV e Cirlan.

Daniel Santiago e Paulo Bruscky falaram sobre suas obras, algumas delas planos utópicos como colocar anilina colorida em nuvens, para que chovesse colorido, outras que se utilizavam de eletricidade, espelhos e que envolviam a participação do público.  Silvio Hansen falou de suas obras que provocavam, em tom sarcástico, a ditadura militar. Os artistas também falaram sobre a dificuldade de expor suas obras em museus, o que só tem acontecido recentemente. Silvio Hansen exaltou que o artista só deve ter compromisso com ele mesmo e com o que o satisfaz, sem esquecer do seu papel político e sem se curvar ao mercado. E fechou a sua fala afirmando que não devemos levar a vida tão a sério, pois não sairemos dela vivos.

Nuno DV falou sobre sua experiência e como sua perspectiva sobre os museus tem mudado,  de um lugar chato em que precisava ir obrigado pela escola, para um lugar que possibilita conhecimento e produção de pensamento. Cirlan falou sobre sua experiência com o projeto Morrinho que representa parte importante da sua vida e exaltou que acadêmico ou não, artista ou não, o comprometimento maior que cada pessoa deve ter é com a humildade, a honra e vontade de buscar conhecimento sem desvalorizar o próximo.

 

Octávio de Souza e Priscila Medeiros – Bolsista PIBEX PACC\UFRJ

 

 

4 comentários

  1. Tita Clemente
    Tita Clemente 1 de fevereiro de 2014 at 11:13 |

    Museu seria um simples lugar comercial de consumo e de lazer, ou uma instituição
    de ciência pura….Mas descobri após as aulas das Quebradas no MAR que para continuar cultural, ele deve estar enraizado num terreno humano e
    se nutrir da cultura viva da comunidade envolvente.

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  2. josé orlando
    josé orlando 13 de dezembro de 2013 at 23:51 |

    POEMA
    Que minhas crianças entrem pelas portas do museu
    que elas possam correr por entre os quadros
    mas que também elas possam entendê-los,mastigá-los,deglutí-los.
    Meus amigos vem vestidos de palavras:
    vendem poesia por suas pedras seus portos,suas lavras
    comem poesia na lanchonete do sonho,
    Próximo, pessoas privadas passam,são pessoas públicas essas que miram o mar?
    É incontinenti essa gestão desde início
    tambores soam a cada parede de silêncio,
    a cada esquina em som uníssono
    São Saúdes,Gamboas,Santos-Cristos
    sentinelas nascidos desde dentro.
    É o patrimônio do sangue que está vivo
    que pulsa a cada olhar perante as esculturas
    no grafite pós traumático pós branqueadura
    Ver famílias frequentando museus novos
    no rico e exuberante itinerário dos povos.

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  3. Shirlei Rodrigues
    Shirlei Rodrigues 12 de dezembro de 2013 at 15:48 |

    Foi importante discutir as formas de articulação e apropriação dos espaços , que como foi dito na aula , espaços potencias que são os museus . E concordo com os artista quando falaram da dificuldade de expor suas obras nesses espaços . Quando foi falado que deveria se procurar a Curadoria do museu , parece que vai dando uma sensação de distanciamento entre Estado x Sociedade .
    Gostaria de deixar uma reflexão do sociólogo francês Pierre Bourdieux:

    “Se é incontestável que nossa sociedade oferece à todos a possibilidade pura de tirar proveito das obras expostas no museu , ocorre que somente alguns tem a possibilidade real de concretizá-la. Considerando que à aspiração a prática cultural varia como a prática cultural e que a necessidade cultural reduplica à medida que esta é satisfeita , a falta de prática é acompanhada pela ausência do sentimento desta privação “.
    Pierre Bourdieu (sociólgo francês)

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    1. Jussara Santos
      Jussara Santos 14 de dezembro de 2013 at 9:28 |

      Shirlei, você colocou o que não foi escrito. Só falado. Isso deve ser incomodo para muitos, não?
      Eu sai de lá com uma sensação de vazio. Não quero nada só para mim. Mas não acredito em projetos sociais de AMOSTRAS GRÁTIS.
      Valeu mesmo!!! Parabéns pela sua bela colocação.

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