7 comentários

  1. Sandra Portugal
    Sandra Portugal 11 de outubro de 2013 at 19:26 |

    Sete Quedas (e seu desaparecimento) está presente nos dois poemas e na música “Nação” e, em cada um deles, abre-se para muitas possibilidades de leitura. Uma tragédia amplamente noticiada e nunca corretamente dimensionada, ela constitui o erro sem reparação, o crime sem castigo, mas é também, como em Leminski, nosso rosário particular de dores. Sete Quedas tornou-se um “motivo”, uma temática recorrente, na produção poética dos anos 1980.

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  2. Rogéria Reis
    Rogéria Reis 11 de outubro de 2013 at 18:52 |

    Meu comentário corrigido:

    A aula me trouxe a certeza de que fica muito difícil
    Analisar a nacionalidade brasileira sob uma só perspectiva, uma vez que somos essa confusão toda. Esse “de tudo um pouco” que pode não levar a lugar nenhum, em uma perspectiva mais pessimista ou uma diversidade que bem administrada pode nos conduzir a algo novo, surpreendente e muito interessante. A escolha é nossa. Nossa capacidade dialógica e de superação dos conflitos advindos porventura dessas muitas diferenças é que nos permitirá caminhar como nação, e não ficar andando em círculos sem avançar, sem sair do lugar. Pensemos…

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  3. Beá Meira
    Beá Meira 11 de outubro de 2013 at 10:47 |

    Aula da Sandra Portugal é sempre assim, abre portas para temas variados e de total relvância.
    Sobre o Mestre Didi, eu tive vontade de comentar uma passagem que o distingue de um artista naif.
    Nos anos 1980 alguns curadores finalmente começaram a refletir sobre o mundo da arte situado fora dos Estados Unidos e da Europa. Um marco nesse debate ocorreu em 1989, na exposição Os mágicos da Terra, um dos eventos comemorativos do bicentenário da Revolução Francesa. O projeto se propunha a investigar quem eram os artistas e o que era a arte no mundo naquele momento, mostrando que a arte contemporânea também existia fora do Ocidente. Do Brasil, o curador Jean Hubert Martin convidou Cildo Meireles e Mestre Didi.

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  4. Rafaela Nogueira
    Rafaela Nogueira 11 de outubro de 2013 at 7:27 |

    Meu professor de Português pediu que cada aluno da turma escolhesse um poema de “qualquer autor” para um trabalho em sala de aula e não nos revelou quando e qual seria a proposta, pediu apenas que entregássemos os textos. Pensei em tantos poetas – brasileiros, estrangeiros, espaciais – e decidi pelo Leminski, pois estou completamente fissurada em sua antologia “Toda Poesia” lançada recentemente. Contudo estava indecisa quanto ao poema, optei por “minhas 7 quedas” pág. 59, xeroquei e entreguei na última sexta. Fiz uma análise (imaginando algo do tipo para a aula), então preparei uns pensamentos, mas algo faltava para completar a minha leitura e eu não fazia ideia do que poderia ser. Foi quando na aula de terça-feira a Professora Sandra nos falou sobre a história de Sete Quedas (que eu desconhecia) e indicou o poema do Drummond Adeus a Sete Quedas (idem). Até aí nem me lembrei do Leminski, também com tantas surpresas numa aula só, e aquela canção do João Bosco , Aldir Blanc e Paulo Emilio junto a todas as imagens e ainda com as penhas de Cláudio Manuel da Costa na cabeça.
    Curiosa para ler o poema do Drummond, tcharam!, fui pesquisar na internet e assim que encontrei e o link se abriu e li o primeiro verso que diz: “Sete quedas por mim passaram, e todas sete esvaíram.” imediatamente me veio “minhas 7 quedas” do Leminski. Quando comecei a repensar o poema, a partir da antiga análise rasa, percebi que havia um elo entre o fato histórico, Drummond e Leminski. Dei inicio a uma viagem insólita.
    Estava na cara que o poeta de “caprichos e relaxos” dialogava com as Sete Quedas e por que não? A sua absorção da coisa se expressou assim:

    minhas 7 quedas

    minha primeira queda
    não abriu o paraquedas
    daí passei feito uma pedra
    pra minha segunda queda
    da segunda à terceira queda
    foi um pulo que é uma seda
    nisso uma quinta queda
    pega a quarta e arremeda
    na sexta continuei caindo
    agora com licença
    mais um abismo vem vindo

    Antes de começar seus “caprichos e relaxos” de 1983 ele diz aos leitores: “Aqui, poemas para lerem, em silêncio, o olho, o coração e a inteligência. Poemas para dizer, em voz alta. Poemas, letras, lyrics, para cantar. Quais, quais, é com você, parceiro.” Tudo isso para anunciar seus jogos poéticos e desse jeito faz o poeta. Em “minhas 7 quedas” o enunciador se transforma nas Sete Quedas submersas pelo grande lago do abismo, a queda incessante do sujeito ao vazio, ao nada. Continuo Drummond – “Afundam-se em lagoa, e no vazio que forma alguma ocupará, que resta senão da natureza a dor sem gesto, a calada censura e a maldição que o tempo irá trazendo?”. Drummond critica a Ditadura, a censura que calava as reivindicações contrárias a construção da Usina de Itaipu e quais seriam estas conseqüências causadas pelos feitos absurdos de ora e de outrora ocorridas durante o período militar. Assim, de forma lúdica, Leminski transcreve para o eu-lírico as quedas como se fossem sentimentos de um sujeito atravessado pela maldição de seu tempo.
    Mas isto é só o começo da viagem! Só a beira do abismo. Quem puder vir comigo!

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  5. Rafaela Nogueira
    Rafaela Nogueira 11 de outubro de 2013 at 3:08 |

    minhas 7 quedas

    minha primeira queda
    não abriu o paraquedas

    daí passei feito uma pedra
    pra minha segunda queda

    da segunda à terceira queda
    foi um pulo que é uma seda

    nisso uma quinta queda
    pega a quarta e arremeda

    na sexta continuei caindo
    agora com licença
    mais um abismo vem vindo

    Paulo Leminski – caprichos & relaxos (saques, piques, toques & baques);1983.

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  6. Fabio Augusto
    Fabio Augusto 10 de outubro de 2013 at 19:37 |

    Me chamou a atenção o sentimento de Carlos Drummond de Andrade ao constatar a”morte” das sete quedas.
    Em 1982, às vésperas dos 80 anos, o poeta expressa sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio natural do Brasil e da humanidade. Na edição de 9 de setembro, quando afinal se anunciava o fechamento das comportas para a criação do lago da hidrelétrica de Itaipu, Drummond publicou este poema no Jornal do Brasil. Em letras grandes, os versos ocuparam uma página inteira.
    O sentimento ecológico do poeta reverberou em todo o país…
    ADEUS A SETE QUEDAS

    Sete quedas por mim passaram,
    e todas sete se esvaíram.
    Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele
    a memória dos índios, pulverizada,
    já não desperta o mínimo arrepio.
    Aos mortos espanhóis, aos mortos bandeirantes,
    aos apagados fogos
    de Ciudad Real de Guaira vão juntar-se
    os sete fantasmas das águas assassinadas
    por mão do homem, dono do planeta.

    Aqui outrora retumbaram vozes
    da natureza imaginosa, fértil
    em teatrais encenações de sonhos
    aos homens ofertadas sem contrato.
    Uma beleza-em-si, fantástico desenho
    corporizado em cachões e bulcões de aéreo contorno
    mostrava-se, despia-se, doava-se
    em livre coito à humana vista extasiada.
    Toda a arquitetura, toda a engenharia
    de remotos egípcios e assírios
    em vão ousaria criar tal monumento.

    E desfaz-se
    por ingrata intervenção de tecnocratas.
    Aqui sete visões, sete esculturas
    de líquido perfil
    dissolvem-se entre cálculos computadorizados
    de um país que vai deixando de ser humano
    para tornar-se empresa gélida, mais nada.

    Faz-se do movimento uma represa,
    da agitação faz-se um silêncio
    empresarial, de hidrelétrico projeto.
    Vamos oferecer todo o conforto
    que luz e força tarifadas geram
    à custa de outro bem que não tem preço
    nem resgate, empobrecendo a vida
    na feroz ilusão de enriquecê-la.
    Sete boiadas de água, sete touros brancos,
    de bilhões de touros brancos integrados,
    afundam-se em lagoa, e no vazio
    que forma alguma ocupará, que resta
    senão da natureza a dor sem gesto,
    a calada censura
    e a maldição que o tempo irá trazendo?

    Vinde povos estranhos, vinde irmãos
    brasileiros de todos os semblantes,
    vinde ver e guardar
    não mais a obra de arte natural
    hoje cartão-postal a cores, melancólico,
    mas seu espectro ainda rorejante
    de irisadas pérolas de espuma e raiva,
    passando, circunvoando,
    entre pontes pênseis destruídas
    e o inútil pranto das coisas,
    sem acordar nenhum remorso,
    nenhuma culpa ardente e confessada.
    (“Assumimos a responsabilidade!
    Estamos construindo o Brasil grande!”)
    E patati patati patatá…

    Sete quedas por nós passaram,
    e não soubemos, ah, não soubemos amá-las,
    e todas sete foram mortas,
    e todas sete somem no ar,
    sete fantasmas, sete crimes
    dos vivos golpeando a vida
    que nunca mais renascerá.

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  7. Rogéria Reis
    Rogéria Reis 10 de outubro de 2013 at 18:51 |

    A aula me trouxe a certeza de que fica muito difícil analisar a nacionalidade brasileira sob uma só perspectiva, uma vez que somos essa confusão toda. Esse “de tudo um pouco” que pode não levar a lugar nenhum, em uma perspectiva mais pessimista ou uma diversidade que bem administrada pode nos conduzir a algo novo, surpreendente e muito interessante. A escolha é nossa. Nossa capacidade dialógica e de superação dos conflitos advindos porventura dessas muitas diferenças é que nos permitirá caminhar como nação e não ficar voltenso em círculos sem arredar do lugar. Pensemos…

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