3 comentários

  1. rute casoy
    rute casoy 13 de fevereiro de 2014 at 19:03 |

    Conheço o Amir de todo o sempre. Nunca o conheci bem por pura timidez. Ele sempre foi demais aquilo que eu queria como mestre. Demais. Muita areia pro meu pequenino caminhão. Muita. O que vejo no Amir e que me comove tanto a ponto d eu fugir dele? Antes de tudo a sua totalmente legítima imensa autoridade. Eu vi o Amir palestrando antes da existência do TNR e já era assim. Alegre, direto, descontraído, simples, sem firulas. Tão simples. Apropriado dele mesmo. Seu discurso chega a ser óbvio. Nesta clareira onde mora o Amir só alguns poetas. Vejo no Amir uma mistura de autoridade legítima, força, coerência, lucidez, brincadeira, humanismo e altíssima espiritualidade. De criança filha de pai pobre, intelectual, comunista e ateu fui catequisada na idéia de luta de classe. Mas era contraditório, pois minha família materna tinha feito fortuna na indústria e morávamos na Vieira Souto, endereço da mais alta elite que se pode imaginar. Fiquei confusa. Nem o teatro, minha primeira tentativa de expressão me salvou. Nem o Tablado me tirou da confusão. Como ser pobre entre os ricos e rica entre os pobres? Pobre menina rica, total. O Amir surgiu pra mim na era Tropicalista fazendo uma alquimia que mexeu com a lógica dicotômica da qual até hoje tento escapar. Mas ainda é duro! O poder dicotômico é muito poderoso e fez ninho nas nossas ingênuas cabeças bem intencionadas. Garota de Ipanema subindo a Mangueira no carnaval atrás do Hélio Oiticica? Buscando? sei lá adrenalina. Nem ligava pra maconha. Matar minha imensa e precoce curiosidade antropológica. Como era a vida na favela? Queria saber. Manifestei tudo que me foi permitido até o AI 5, quando fui parar na prisão menor de idade. Queria saber como era a vida fora de Ipanema. Queria muito saber. Fui de carona pra Salvador. Assisti o show de despedida do Gil e Caetano e me auto exilei em Londres para ficar junto deles em Notting Hill Gate. Voltei 12 anos depois com um filho debaixo do braço e quem eu encontro? Amir Haddad! Entre outos claro Angel Vianna, Zé Celso, Chacal, Perfeito Fortuna, não exatamente nesta ordem. Tinha me tornado budista iniciada, me formado em Hatha Yoga, estudado Mímica, Doula, feito dança Afro com congoleses, Teatro na Cartoucherie de Vincennes e antropologia na Ecole Pratique des Hautes Etudes. Só a vida diferente da minha me interessava. Peguei estradas, muitas estradas e sempre encontrei o Amir, grande, sorridente, carinhoso, rindo da minha insegurança. Agora entendo um pouquinho mais, acho que entendo. Procurei, sem saber disso, aprender a lidar com o povo de rua. Condição sine qua non para chegarmos às moradas mais elevadas. Não existe nada privado. Não existe nem a propriedade privada. O privado é uma ilusão. Criada por Hollywood, pela Globo, pela Caras, pelo Capital. Só existe o público. O Sotigui outro grande já dizia só existe o Encontro. Não existe espectador. A minha casa é doméstica não é privada. A minha forma de expressão é a minha contribuição. Serei sim retribuída. Óbvio. Não obrigatoriamente paga. Existem muitas lógicas de troca, lógicas de produção para além da exploração, da mais valia, do lucro. Somos todos atores. Todos sujeitos. Produtores de metáforas. Isso é produção de riqueza. Vamos nos manifestar e ouvir o que uns tem pra dizer aos outros? É por aí, mestre?

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  2. Rogeria Dias Deziderio Reis
    Rogeria Dias Deziderio Reis 13 de fevereiro de 2014 at 15:41 |

    Jacó, em uma visão viu descer do céu, uma escada, que simboliza a interface Deus- homem que se cumpriu na pessoa (humanidade) de Jesus Cristo. Agora, que desçam do pedestal e subam ao reino de Deus, para um diálogo, os Exus e seus seguidores. Tenho certeza de que com amor, serão bem acolhidos.
    Não pensem em Deus como a religião que se manifesta politica e economicamente nesses nossos dias. Tomem por base o exemplo amoroso e inclusivo de Jesus Cristo.
    Deus estava nas palavras proféticas do Amir Haddad. O verbo habitou entre nós ontem, lá no MAR, pela boca do profeta da arte livre e gritando que o sangue de Jesus tem poder para nos ajudar a construir e sustentar essa liberdade. Beijos e amo muito, muito vocês quebradeiros, irmãos e defensores do amor, da paz, da igualdade, da justiça, do desenvolvimento humano, da sustentabilidade, da arte, da cultura, enfim de toda boa causa!

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  3. Sandra Lima
    Sandra Lima 13 de fevereiro de 2014 at 12:55 |

    Demais, ambos textos por isso sou fã- nática por Marcio Rufino e Valéria Barbosa, ambos são luz para mim, abrem os olhos da mente e do coração, sem separar a razão da poesia, tornando tudo riqueza.

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