5 comentários

  1. Janaina Tavares
    Janaina Tavares 6 de outubro de 2013 at 23:13 |

    (Re)conheci um pedaço do nordeste hoje cedo no Teatro, com a peça Urucuia Grande Sertão dos meninos do Coletivo Peneira e senti a energia de tantas crianças empolgadas inclusive da minha pirralha, que insiste em mostrar que está uma mocinha, mas nunca tinha ido ao Teatro e me senti satisfeita de tê-la levado. No caminho fiquei pensando porque minha família nunca teve essa cultura de ir ao cinema ou ao Teatro. E logo depois lembrei de todas as brigas, trabalho e ritmo acelerado que era isso aqui. E que a fuga mais fácil era a TV e a cerveja gelada no final de semana. Depois de discutir sobre a polícia nas Quebradas, me vem o presente antecipado de aniversário: o livro O cerol fininho da Baixada de Heraldo HB, não poderia ter chegado em melhor hora. Momento que mais preciso identificar tudo isso que acontece dentro de mim quando olho pra essa Baixada que parece cada vez mais alta nos meus sonhos. No caminho, depois do retorno do sarau Ameopoema, pensei nas pessoas que dormem olhando às estrelas, que fumam sua pedra de craque pra se sentirem vivas, ou melhor, por já terem morrido em vida. Pensei em como a quantidade de ambulante nos trens, aumenta. E que o cheiro dele me conforta. E me faz lembrar que existe um coração aqui dentro pra ser ocupado. E que “todo começo é involuntário.”

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  2. Carlo Alexandre
    Carlo Alexandre 4 de outubro de 2013 at 12:41 |

    Caros colegas das Quebradas,
    Estive ausente na ultima terça, pois fiz a escolha de me “entrincheirar” na Cinelândia em apoio aos EDUCADORES e repúdio ao Estado (se é que podemos chamá-lo assim), desde a semana passada, já que além de ser um deles, me sinto violado principalmente enquanto brasileiro e cidadão desta cidade. Confesso que não me arrependi da escolha, precisava mais uma vez ter a certeza e convicção, mesmo depois de tudo o que já vivemos e experimentamos desde o inicio dos manifestos, de que realmente vivemos no “estado de exceção”, onde o Estado pode tudo e onde a polícia não apenas recebe ordens do “Bosses” e as cumpre imediatamente, mas o faz com explícito prazer e sadismo diante de nossos olhos incrédulos. Atiraram bombas de efeito moral contra senhoras, sobre equipes de ajuda vestidas de branco, sobre adolescentes blackblocs – simples adolescentes, mas com sangue nas veias, pois descendentes que são de guerreiros mestiços, mistura genética de “caboclos de pena”, tupinambas, orixás e tribos da África – eles não poderiam fugir desta luta.
    Sim estamos nas ruas lutando, apanhando e resistindo, mas pagando o preço alto desse ato, chorando sem ter vontade, chorando de amargura, impotência e de terror, pela inflingencia de gases, sprays e explosões que doem na alma.
    Entendo agora um pouco do que sofreram os guerrilheiros dos anos ferro da ditadura militar e vejo que o estado de espírito dos militares e seus dogmas pairavam a espreita e ainda pairam sobre este pais.
    Mas meu terror não é nada ainda, se comparado ao que, por séculos, sentem os comunidades faveladas de todo o Brasil, América latina, Índia, África e todos os povos nativos deste pais. Todos mártires da nossa vergonha. Agora eu entendo, um fragmento do que nem de perto vivi, de todos dramas horrendos que nunca vivemos na carne.
    Venham para as ruas nos próximos dias de protesto, pois não vejo mais significado em ficar inerte, neutro, vazio, em choque aguardando a ajuda dos poderes e instituições que gargalham de nossas caras assustadas, que distorcem a realidade e usam toda sua força e aparato para desmoralizar um dos movimentos mais autênticos que o Rio de Janeiro já produziu.
    Por tudo isso, faltei e talvez continue faltando as Quebradas acaso os manifestos quebrem também nas próximas Terça.

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  3. heraldo hb
    heraldo hb 4 de outubro de 2013 at 2:39 |

    Maré, 24/06/13

    toda bomba tem efeito moral
    tem defeito mortal
    rarefeito amor e como tal
    machuca na alma também

    e falem o que quiser: a lágrima é líquida
    salgada e solidária
    e gás nenhum, de nenhum gênio,
    faz a dor evaporar com o choro

    a ganância.
    a ignorância,
    a violência,
    os chicotes desses tempos
    complexos,
    perplexos,
    convulsos.

    toda bala é perdida
    mas sempre alguém acha
    e a bala é cara
    e de uma borracha que não apaga sangue

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  4. ZineØØ
    ZineØØ 4 de outubro de 2013 at 1:51 |

    puxa puxa… os poetas… Rufino eu já estou sabendo, Fabio e Luciana ainda não os conheço, e a mim – sim, mal me reconheço. No lugar de ir e confiar, acreditar que a poesia verga mas não quebra, deixei-me no vazio de vida tangido pelos alertas, explicando a pele salva através da inércia, trocando o campo de guerra por uma vaga confortável na torcida. Este não sou eu, sou medo, vergonha não dizer para mim mesmo: AMEOPOEMA ou deixe-o. Só, não posso estar, junto meus pedaços para a próxima sarjeta, qualquer beco e confronto – poetas de guerra, de hoje em diante, não os abandonarei mais.
    xnd

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  5. Silvia Ramos
    Silvia Ramos 3 de outubro de 2013 at 22:25 |

    Estou impressionada com a densidade, profundidade e delicadeza dos comentários. Compartilho os sentimentos e agradeço esse banho de Quebrada na minha experiência como palestrante. Mais e mais eu admiro vocês.

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