5 comentários

  1. juliana Barreyo
    juliana Barreyo 5 de setembro de 2013 at 1:54 |

    Narrativas, historias, imagens. Como conter o ímpeto por sacralizar o modo de narrar historia que herdei de meus avós. Modo este que até hoje cultivo e esmero, entre primos, tias e ensino aos meus filhos. Sim, quando com eles eis-me aprendiz.. Aprendiz, pois que me encontro com novas maneiras de ouvir e contar historias, nativos de uma nova linguagem, enquanto eu, apenas imigrante. Processamentos tão distintos. Como bem disse Marc Prensky ” tipos distintos de experiências levam a distintas estruturas de pensamentos” (PRESNKY, 2001,p.1). Permito-me esse momento com eles onde não posso negar, temer ou rejetar suas “falas digitais”. Basta-me observar seus hábeis polegares enquanto se comunicam em tempo real com uma, duas, três pessoas ou mais, e assim enquanto disserto meus causos por vezes não sou compreendida, mas logo me lembro…sou imigrante. Enquanto com eles, me deparo com narrativas com características de multiplicidade, que agregam componentes tais como, imagens em movimento, sons e gestos. Narrativas diferentes, narrativas multi modais, que se alternam. Essa rica narrativa que provoca a ampliação no significado da mensagem.
    E nesse (des) encontro caracterizado por formas distintas de pensar e ver as coisas do mundo, amplas são as possibilidades de aprendizagem, desenvolvimento e evolução.

    PRESNKY, Marc (2001), Nativos Digitais x Imigrantes Digitais

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  2. Marcio Rufino
    Marcio Rufino 4 de setembro de 2013 at 18:57 |

    Deusorixás

    De repente
    Surgem no território
    Da minha mente
    Os deusorixás
    Que são fruto do amor
    Dos deuses gregos
    Com os ancestrais iorubás

    Mítico cenário
    Afro-arcaico
    Que em seus ritos
    Oferecem-se
    Plantas, bichos
    E até os próprios filhos

    Entre guerras e sedições
    Domínios e libações
    Entre o irracional e o lógico
    Entre o real e o mitológico
    Há a necessidade
    De se deflorar
    A origem de todas as coisas
    De definir o princípio
    De tudo que se vê

    A dificuldade de
    Se reconhecer
    No que não se entende
    O desejo de intuir
    O que não se pressente

    Brasil,
    Casa euro-africana
    Acolhendo aristocratas,
    escravos e estrangeiros
    Em suas entranhas

    Sangrando
    A complexa narrativa
    Fecundando
    A herança corrosiva
    Da mistura

    Mitos mulatos
    pululam de céus e ilhas
    De templos e terreiros
    Abençoam e espraguejam
    Nas cidades e nas bocas dos formigueiros
    No limite
    Entre a ferida e o pus
    Vingando a morte
    De oráculos e vudus

    Fazendo amor
    Com deuses
    E mortais
    Com pessoas de carne e osso
    E seres irreais
    Cercados por
    Pomba-giras e sátiros
    Ninfas e arcanjos
    Que brindam
    Com o vinho de Dionísio
    E o sangue de Oxalá-Cristo
    O limite
    Entre o santo e o profano

    E de repente
    Surgem no território
    Da minha mente
    Os deusorixás
    Que são fruto do amor
    Dos deuses gregos
    Com os ancestrais iorubás

    Marcio Rufino

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  3. Denise Lima
    Denise Lima 4 de setembro de 2013 at 15:49 |

    DIÁSPORAS CÍCLICAS

    Meu bonde partiu de Angola, acorrentado!
    Chegou em Pernambuco, suou na cana,
    fugiu para um quilombo em Minas Gerais.
    Passou fome, frio, sede, adoeceu.
    Ouviu falar da princesa e da liberdade, duvidou e não errou!
    Quem liberta e coloca na rua, sem roupa ou colchão?
    Viu chegar outro bonde, desta vez de brancos com falas engraçadas e
    suas ferramentas de campo!
    Perdemos o chão, invadiram o quilombo, devastaram tudo, fundaram latifúndio.
    Partimos de novo, para o Rio de Janeiro, uma nova senzala
    chamada quarto de empregada, de onde fugíamos, uma vez por mês para os barracos ou cortiços! Desta vez, passamos fome de desejos.
    O prato cheio, na mesa deles, não vai nos servir, sirvamos-nos de restos!
    Tudo é pouco: amor, vestimenta, salário. Muitos, só os filhos, outras bocas famintas.
    O tempo passa e novo sonho de liberdade nos dão, chamam-na de escola.
    Mas, nossa cor deixa-nos novamente na senzala: do medo, do racismo, do bullying.
    Precisamos provar que podemos,
    precisamos provar que merecemos,
    precisamos provar que nos importamos.
    Agora, é o tempo que nos cerceia, nos pune, nos castra.
    Novas tecnologias inalcançáveis, novos mundos híbridos, não nos convidaram para a globalização. Então, quedemo-nos deserto, à espera de nômades!

    DENISE LIMA

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  4. Fabio Augusto
    Fabio Augusto 4 de setembro de 2013 at 13:25 |

    Muito mais que uma história sobre abóboras o conto que narramos no território de ontem fala sobre várias questões importantes: Bondade,justiça,preconceito,fé,fraternidade e verdade.
    Sem muito esforço podemos adaptar essa história em nosso dia a dia onde nada parece o que é e. Qualquer um pode ter essas riquezas dentro se si .Podemos também analisar o quanto é importante acreditar no que sentimos e que sempre podemos dividir o pouco que se tem…
    Sobre a lenda da Riqueza de Obará, descobri que eram dezesseis irmãos, Okaram, Megioko, Etaogunda, Yorossum, Oxé, Odí, Edjioenile, Ossá, Ofum, Owarin, Edjilaxebora, Ogilaban, Iká, Obetagunda, Alafia e Obará. De todos Obará era o mais pobre, e morava em uma casa de palha na floresta, com muita simplicidade e modéstia…
    Quando os irmãos foram fazer a visita anual ao babalaô ele perguntou: Onde estava o outro irmão? Disseram que houve um problema e ele não poderia comparecer, mas tinham mesmo vergonha do irmão por ser pobre. Foi quando o babalaô presenteou a cada irmão com uma lembrança simples e após a consulta foram todos para casa. Na volta reclamavam sem parar. “Isso é presente que se dê? Abóboras?” .
    Já era tarde e ao passar próximo da casa do irmão eles resolveram então passar a noite lá. Chegando na casa , todos entraram e foram muito bem recebidos, Obará pediu a esposa que preparasse comida e bebida a todos, e acabaram com toda comida na casa. Logo os irmãos foram embora sem agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, até porque de nada esse presente valia para os irmãos.
    No almoço, a esposa de Obará falou que não havia mais nada o que comer, só as abóboras que não estavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as abóboras, haviam riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará prosperou.
    O tempo passou e os irmãos de Obará estavam na miséria, e voltaram ao Babalaô para resolver a situação, ao chegar lá escutaram o povo saldando um príncipe em seu cavalo que mudava de cores e muitos servos em sua comitiva entrando na cidade.Ao olhar para o príncipe perceberam que era seu irmão Obará e perguntaram ao Babalaô como poderia ser possível! Ele respondeu: Então…sabe aquelas abóboras que dei com tanto carinho a cada um de vocês? Dentro haviam riquezas em pedras e ouro mas a vaidade e orgulho não vos deixaram ver e hoje quem era o mais pobre tornou-se o mais rico.
    Os irmãos foram ao palácio de Obará para tentar recuperar as abóboras, disseram a Obará que devolvessem as abóboras e Obará assim o fez, mas antes esvaziou todas e disse: Eis aqui meus irmãos, as abóboras que me deram para comer, agora são vocês que as comerão.
    Ao visitar o palácio de Obará o babalaô lhe disse: Enquanto não revelares o que tens, tu sempre terás.
    E assim se explica o motivo que quem carrega este Odú não pode revelar o que tem.
    Uma vez revelado o segredo,corre se o risco de perder tudo, tal como os irmãos de Obará.

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  5. Ludi Um
    Ludi Um 2 de setembro de 2013 at 12:45 |
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